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21 de março: Novo coronavírus nos cobra reflexões sobre discriminação racial

Nesse Dia Internacional Contra a Discriminação racial, é preciso questionar se o racismo – que no Brasil frequentemente costuma ser negado – segrega, enquanto o mundo, também do ponto de vista econômico, nos exige unidade para sobreviver4

 

A pandemia provocada pelo novo coronavírus (covid-19) chegou ao Brasil como tem chegado na maioria dos países por onde já passou: avassaladora. A situação tem exigido medidas duras. O isolamento social é a recomendação mais forte das autoridades em saúde para tentar conter o avanço do contágio e com isso evitar o colapso no sistema de saúde. O que para especialistas já parece inevitável no Brasil. Promovendo mudanças radicais nas rotinas de populações inteiras ao redor do mundo, o vírus que surgiu na China traz com ele a oportunidade de reflexões que sociedades, orientais ou ocidentais, precisam fazer. Enquanto a economia vem ao longo das últimas décadas aproximando nações, com a era do chamado mundo globalizado, a xenofobia, no mesmo período, ganha dimensões também imensas. Procurar ir na contramão desse comportamento, tem sido o desafio em diversos países.  

O desgaste do capitalismo que, impulsinado por interesses econômicos, gera crises humanitárias, parece ter chegado a seu ápice com a pandemia do covid-19. É urgente o debate sobre um novo modelo econômico para o mundo, e com ele, o desafio de debater tambêm as relações humanas, marcadas por discriminação de diversos tipos. Muitas vezes sinlenciosa, a discriminação racial é pontecialmente letal. Em 2015, foi registrado um aumento de mais de 600% de casos de xenofobia no Brasil com a chegada de refugiados. Nem 1%dos casos chega à justiça.

O Huffpost conversou com algumas vítimas de xenofobia no Brsail que mostram que medo e o desconhecimento fazem da xenofobia um crime silencioso no dia-a-dia. E medo e desconhecimento são sentimentos pulsantes em meio a pandemia do novo coronavírus.

Confira:

E é por isso que essa pandemia nos leva ao debate sobre discriminação. Como? Desde que surgiu, teorias da conspiração ligaram chineses ao caos levado a outros países. Cientistas já provaram que a mutação do vírus foi natural e, portanto, chineses não tem culpa, ao contrário, foram as primeiras vítimas dessa tragédia que a cada dia ganha maiores proporções. Só na Itália já são mais de 4 mil os mortos pelo novo coronavírus.

Mas, com isso, teve início um forte movimento de intolerância direcionado a qualquer pessoa de origem ou apenas com traços orientais. A situação piora quando entram em cena figuras com algum destaque. Aqui no Brasil, ataques do filho do presidente da República, Eduardo Bolsonaro, à China, insuniando que o país é o culpado por essa crise mundial, tem tomado proporções cada vez mais graves.

Nessa sexta-feira, 20, a embaixada chinesa, em Brasília, amanheceu com ofensas estampadas em faixas direcionadas oa presidente do país asiático e ao embaixador chinês. A xenofobia e discriminação racial tem potencial para trazer ainda mais destruição a cenários difíceis. Na Itália foi preciso uma campanha para que chineses parassem de ser hostilizados. O ódio é o motor da discriminação racial e este ódio é irracional ou estrutural em 99% dos casos.

Se por um lado o covid-19 traz prejuízo e destruição, por outro o mundo é convidado a refletir sobre a importância da unidade e das parcerias. Somos todos iguais. Essa mensagem repetida a exaustão, mas que na prática não encontra eco, agora se mostra definitiva. A corrida por uma cura para o novo coronavírus tem colaboradores de todos os cantos do mundo. Ajuda médica e humanitária de quem passou pelo caos tem sido uma constante. A pandamia impõe a união de forças. Para além da economia, as vidas devem ser a prioridade.

O racismo nosso de cada dia

Mas as crises com refugiados sírios na Europa, venezuelanos e haitianos no Brasil, revelam a vocação humana para a discriminação. Aqui, fruto de uma história marcada pela escravidão, as marcas dessa discriminação, voltadas ao povo negro, nunca conseguiram ser desfeitas. A construção para que esse passado sombrio fique apenas na história parece ainda estar só no começo.

E é essa mesma população negra, maioria no Brasil, em condições mais vulneráveis, a que sofrerá os impactos mais graves e cruéis do covid-19. Pessoas sem água e muito menos dinheiro para adquirir alcool gel se perguntam como se proteger da doença fatal onde a principal recomendação médica é lavar as mãos. De dentro de um metrô lotado, um homem negro faz um vídeo denunciando o governo em São Paulo: vocês querem nos matar. A outra grande recomendação das autoridades sanitárias é para que haja isolamento social, mas à maioria da classe trabalhadora, negra e periférica do Brasil, não é dada essa alternativa.

Já sofrendo efeitos da discriminação ao longo dos séculos, não é tolerável que a população brasileira aguarde que essa tragédia anunciada aconteça. A discriminação acontece ainda quando soluções de governo são dadas a segmentos privilegiados da sociedade, enquanto à maioria é oferecido corte de salário, desamparo, desemprego e incertezas.

A Condsef/Fenadsef, por meio de sua secretaria de Gênero, Raça, Juventude e Orientação Sexual, seguirá atenta e lutando para que discriminações e injustiças não ocorram num cenário já desafiador. Para a Confederação, poderemos sair dessa pandemia mais fortes e com redes de solidariedade ampliadas, combatendo as desigualdades sociais, exercitando na prática a máxima de que somos todos iguais e temos direito de acesso a serviços públicos de qualidade e universais como assegura nossa Constituição. Mas é preciso vigilância permanente, pois o contrário é também possível e não podemos tolera viver em um mundo com discriminação. O mundo quer de nós conexão. O mundo quer de nós unidade.  


  • Capa: Bárbara Bonanno

Fonte: Condsef/Fenadsef


 

 

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