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46% dos inadimplentes não pagarão dívidas nos próximos três meses

 

Crediário, cartão de crédito e empréstimo pessoal são as dívidas mais comuns.
Brasileiros e brasileiras das classes A e B têm débitos mais elevados

 

A renda insuficiente (36%) e o desemprego (27%) são os principais motivos apontados por 46% dos brasileiros inadimplentes para não pagar dívidas em atraso pelo menos nos próximos três meses. Outros 15% disseram que não dá para pagar porque ganham menos por mês do que o total do saldo devedor.

Os dados são da pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e foram divulgados nesta quarta-feira (29). As duas entidades já haviam divulgado este mês pesquisa mostrando que 41% da população adulta brasileira – 63,4 milhões de pessoas – estão negativados.

 

Perfil dos devedores

 

Segundo a pesquisa, o valor médio das dívidas é de R$ 2.615,98 – os homens devem mais: R$ 2.934,34.

As classes A e B também têm débitos de valores mais elevados, R$ 3.718,48 na média. Entre os que têm renda familiar de até cinco salários mínimos, a dívida média é de R$ 2.530,96. A pesquisa revela também que 14% dos inadimplentes não sabem quanto devem.

De modo geral, o quadro dos inadimplentes é composto por 58% de mulheres e 42% de homens. A média de idade é 36 anos e a maioria (59%) tem segundo grau completo ou incompleto. Dos consumidores com contas em atraso, 93% têm renda de até cinco salários mínimos e divide a casa, em média, com mais três pessoas. A maioria dessas pessoas reside nas regiões Sudeste (46%) e Nordeste (24%).

 

Motivos

 

Entre os que disseram querer sair da lista de devedores, a renegociação com o credor é a principal estratégia. Quatro em cada dez entrevistados pretendem conseguir o parcelamento da dívida, 19% vão fazer cortes nos gastos e 18% farão bicos para gerar renda extra.

As áreas citadas como passíveis de corte são: lazer (34%), aquisição de roupas e calçados (32%), idas ao salão de beleza (30%), alimentação fora de casa (29%) e compra de produtos de beleza (25%).

 

Dívidas que mais geram ‘nome sujo’

 

Os empréstimos contraídos com amigos e parentes é o tipo de dívida em atraso mais frequente do brasileiro inadimplente, com 38%. Em seguida, estão faturas do cartão de crédito (20%), crediários no comércio (20%) e o cheque especial, que saltou de 8% em 2017 para 20% neste ano.

As dívidas que mais resultaram na negativação do CPF – sujam o nome do consumidor – são, principalmente, o crediário (65%), o cartão de crédito ou de loja (63%) e o empréstimo pessoal feito em bancos e financeiras (61%).

Em média, as contas atrasadas há mais tempo são o empréstimo pessoal (34 meses), empréstimo consignado (27 meses) e o cheque especial (24 meses).

Já a lista de produtos ou serviços comprados no crédito que mais resultaram na inadimplência é liderada pelas roupas, calçados e acessórios, que somam 42% de citações. As compras no supermercado (20%) e a aquisição de eletrônicos (20%), smartphones (15%) e eletrodomésticos (15%) completam o ranking.

 

Contas que devedor não quer atrasar

 

A pesquisa constatou que o inadimplente procura não atrasar o pagamento de contas consideradas essenciais, como plano de saúde (89%), condomínio (86%), aluguel (82%), despesa de água e luz (79%) e TV por assinatura e internet (75%).

 

Reincidência

 

A pesquisa indica, ainda, que o consumo por impulso e a falta de planejamento também são fatores que contribuem para a inadimplência.

Em cada dez pessoas com contas em atraso, duas (22%) fizeram alguma compra nos últimos três meses mesmo estando conscientes de que seria difícil ou não conseguiriam pagá-la. Além disso, a reincidência é um comportamento frequente entre o inadimplente brasileiro. Quase um terço (32%) das pessoas que devem no país já estiveram negativados duas vezes ou mais nos últimos cinco anos, sendo que 18% foram negativadas em duas oportunidades e 6% mais de três vezes.

 

Metodologia

 

A pesquisa ouviu 609 consumidores que possuem contas em atraso há mais de 90 dias em todas as capitais do país, de ambos os gêneros, acima de 18 anos e de todas as classes sociais. A margem de erro é de no máximo 3,97 pp a uma margem de confiança de 95%.

 

 

Fonte: Marize Muniz, CUT Nacional

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