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Desconfie. Ao menos desconfie!

Por Anderson Loureiro, Servidor Público Federal

 

“O Tribunal Regional Federal em Brasília mandou tirar do ar a nova propaganda do governo federal sobre a reforma da Previdência que está circulando em cadeia nacional.A peça publicitária diz que a reforma da Previdência “combate privilégios”, o que para os autores da ação, é propaganda enganosa”.

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De tempos em tempos o governo brasileiro se empenha em demonstrar para a população que alguns serviços públicos podem e devem ser oferecidos pela iniciativa privada. Qualquer serviço. Dizem, e muitos acreditam, que desta forma eles melhoram em muito em desempenho e que o pagamento,a que o cidadão se vê obrigado a custear, vale todo o processo de privatizar.

 

Um bom exemplo disso são as estradas federais, aquelas grandes estradas,as com muito movimento e que geram muita cobrança de pedágios (no plural). Daí em diante, aeroportos, portos, transporte público, educação e até hospitais entraram na lista de serviços que, para a boa eficiência, melhor que sejam privatizados.

 

Pois desconfie do seguinte: se estes serviços davam prejuízo ao governo como dão lucro às empresas? Note que são muitas as empresas, os consórcios, que participam dos leilões de concessões. Agora, se essas empresas que ganham a licitação e passam a administrar as rodovias federais ainda pagam os seus funcionários, os custos com a recuperação das estradas, as taxas e impostos,encargos que o governo não têm, e ainda por cima obtêm lucro, como aquele serviço dava prejuízo antes?

 

Desconfie ainda, e principalmente, do que o governo quer fazer com a Previdência. Primeiro,porque todos já sabemos que ela não dá prejuízo algum, isso dito pelo relatório da própria CPI que só repetiu o que muitos analistas de verdade já diziam há tempos. Pois bem, o governo mente ao dizer que não “suporta” mais arcar com os custos da Previdência. Só que, do outro lado,quase todos os bancos e empresas financeiras estão ávidos por gerir este baita negócio.

 

Para o governo trata-se, não um serviço público ou social, mas de uma mera atividade que dá prejuízo e que por isso há que se mudar a regras para poder ser rentável daqui pra adiante. Ok, se tudo começa com uma mentira há de terminar com outra. Mas se os bancos vão administrar as previdências privadas, assim como as estradas, e ainda vão pagar os funcionários, os custos do sistema, impostos etc, como ainda vão lucrar com o serviço? Mas ele não dava prejuízo antes? Esta conta não fecha. Mesmo.

 

Por fim, quando é o governo que administra, dá prejuízo. Já se é uma empresa, dá lucro. Agora, o custo de ser um serviço público para o cidadão custa xis, e para ser um serviço privado, para o mesmo cidadão, vai custar dois ou três xis. Nós, cidadãos, vamos pagar pelo serviço da previdência privada e ainda pelo lucro daquela empresa, assim como pagamos pelos pedágios nas estradas. Tem gente que acha melhor não desconfiar de nada e prefere repetir que pelo menos assim funciona. E sai pagando em duplicidade: uma vez com os impostos para as estradas e outra vez com o pedágio para a empresa que lucra com ela.

 

Na minha concepção isso não tem nada a ver com estado mínimo. É estado omisso. Em sua mais pura versão. Ou inversão.

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