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Em defesa dos servidores, entidades convocam categoria para atos

“É preciso mostrar que somos muitos e que o Governo não pode passar por cima de nossos direitos garantidos pela Constituição. Só as ruas conquistarão a política que o Brasil precisa. Isso é democracia”, agita diretor da Condsef/Fenadsef

 

Duas datas estão definidas por entidades para que trabalhadores possam se unir e mostrar ao Governo suas prerrogativas em defesa de seus direitos. Há ainda uma terceira data indicada, que deve ser oficializada nesta semana. A jornada de protestos terá início nesta quarta-feira, 1º de Maio, Dia do Trabalhador, que reunirá centenas de pessoas a favor da manutenção da Previdência Pública, contra programa de privatizações, por reajustes salariais dignos e em defesa das políticas sociais encerradas por Jair Bolsonaro. 

Já está aprovado também o Dia Nacional de Luta, em 15 de maio, quando tem início a greve dos professores e das professoras. A paralisação deve ser expandida para todas as categorias trabalhistas em 14 de junho, que consta como indicativo para greve geral na agenda da CUT e que deve ser aprovado no ato de 1º de Maio em São Paulo. 

Dirigentes solicitam que filiados se atentem para as atividades previstas em suas cidades e se esforcem para participar. O momento é crítico e exige mobilização multiplicada. Para a Condsef/Fenadsef é fundamental se engajar em toda essa luta para garantir os direitos não apenas de grupos específicos, mas de toda a população brasileira. A defesa de uma aposentadoria digna, por exemplo, é algo que afetará todas e todos. 

Na última semana, a PEC 6, que altera o regime previdenciário brasileiro, foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Agora ela segue para análise da Comissão Especial, instaurada às pressas. Prevista inicialmente para ter 26 titulares, sua composição foi aumentada para 49 nomes, o que pode favorecer sua aprovação e consequente empobrecimento dos trabalhadores para enriquecimento de bancos. A previsão é de que a Comissão Especial inicie os trabalhos em 7 de maio.

Mais motivos para lutar

Nesta segunda-feira, 29, matéria do jornal Valor Econômico divulgou previsão do Governo de aumento de 1% nos salários dos servidores para os próximos 10 anos. Sérgio Ronaldo da Silva, avalia a possibilidade como desrespeito. Divulgada no mesmo dia, pesquisa da Fundação Getúlio Vargas observou que o Índice Geral de Preços–Mercado (IGP-M) acumulou inflação de 8,64% nos últimos 12 meses

Neste ano, a inflação média do País já está em 4,08%, segundo o Worldwide Inflation Data. Governo divulgou recentemente que, em 2020, a expectativa dos analistas é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial no Brasil, atinja 4% e, no ano seguinte, caia para 3,75%. Ou seja, caso haja reajuste dos salários dos servidores, esse valor será irrisório se comparado com o poder de compra.

“Se a pesquisa da FGV informa que os aluguéis aumentaram mais de 8% no último ano e se o próprio Governo projeta, em um cenário extremamente positivo, inflação que beira 4%, um ajuste de 1% é desumano, é querer precarizar os trabalhadores que protegem o Estado e observar os servidores esmorecerem na miséria”, indigna-se Sérgio Ronaldo. 

Responsabilidade de todos

Desde janeiro, entidades se desdobram para proteger os servidores das mudanças anunciadas pela nova gestão do Palácio do Planalto. Extinção de Ministérios, proibição de ajustes salariais, impedimento de realização de concursos públicos e possibilidade de fim do reajuste linear garantido pela Constituição Federal exigem esforços redobrados dos sindicatos para proteger os direitos da categoria. Mas o esforço tem que ser maior, tem que ser coletivo. 

“Só preservaremos nossa categoria com ampla mobilização nas ruas e participação de todos os servidores. Nossas vidas estão em risco e o Governo tem que entender a importância constitucional da nossa existência. Não há ninguém privilegiado aqui. Somos empregados do povo. O Governo não pode nos eliminar com plano que prevê miséria. É cruel e covarde.”

>> Confira os protestos marcados em diversas cidades do Brasil e compareça!

 

  • Capa: Roberto Parizotti, CUT Brasil

Fonte: Condsef/Fenadsef

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andrade@sintrafesc.org.br

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