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Governo quer tirar proteção às gestantes e reduzir prazo para o salário-maternidade

Medidas da gestão Bolsonaro diminui chances de ampliar a proteção social para mães trabalhadoras

 

O artigo 201 da Constituição Federal, que organiza o sistema previdenciário brasileiro, garante a “proteção à maternidade, especialmente à gestante”. No entanto, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 06/19 do governo Jair Bolsonaro (PSL), que altera o modelo de Previdência Social, exclui do seu texto essa proteção especial às gestantes.

“A proposta do governo Bolsonaro de tirar da Constituição as garantias da mulher, especialmente as gestantes, é uma maldade sem tamanho. As mulheres já têm toda a dificuldade de se aposentar, elas têm salários menores e quando voltam da licença-maternidade grande parte delas são demitidas”, disse Jesus Souza, consultor previdenciário.

A previsão de cortes de direitos das mulheres também está na Medida Provisória (MP) 871, criada para, segundo o governo, combater irregularidades nos benefícios previdenciários. Na MP, o prazo para pedir o salário-maternidade foi reduzido de até 5 anos (60 meses) para seis meses após o nascimento da criança. 

Em conjunto, as duas medidas do governo, reforçam as desigualdades de gênero no mercado de trabalho. Segundo o levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 48% das mulheres perdem o emprego em até 12 meses após a volta da licença-maternidade.

O portal Trocando Fraldas fez uma pesquisa de opinião, entre os dias 13 e 17 de maio, com 10 mil internautas de todo país. O resultado revelou que 85% das pessoas não sabiam da alteração que tira a proteção à gestante da Constituição. Por outro lado, 87% dos internautas são contra a retirada dos direitos. 

INSS

As medidas podem prejudicar ainda mais a situação das mulheres, que já enfrentam dificuldades para conseguir seus direitos. De acordo com a vereadora de São José dos Campos Amélia Naomi (PT), a espera pela concessão dos benefícios é muito grande nos postos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“Os filhos chegam a completar cinco meses e as mães não conseguem receber nada do salário-maternidade. Isso faz parte de uma política de sucateamento”, disse a vereadora.

A denúncia foi feita durante a audiência pública sobre o impacto da reforma da Previdência para as mulheres, organizada pelo deputado federal Alexandre Padilha, da subcomissão da Câmara que avalia a reforma da Previdência. A audiência aconteceu na última segunda-feira (27).

O Brasil de Fato entrou em contato com a secretaria de Previdência Social, porém o órgão, que é subordinado ao ministério da Fazenda, questionando as medidas do governo, no entanto, a assessoria da secretaria não respondeu.

No dia 31 de maio, a partir das 16h30, acontece uma aula-pública para explicar os riscos da reforma da Previdência para os trabalhadores. A aula será na praça da República, região central da cidade. O prazo de validade da MP 871 termina do dia 3 de junho. 

Direitos em jogo

Um dos aspectos mais polêmicos da reforma trabalhista aprovada durante o governo Michel Temer (MDB) diz respeito às condições de trabalho de gestantes e lactantes. O Supremo Tribunal Federal (STF) decide nesta quarta-feira (29) a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5938, que questiona norma que admite a possibilidade de elas desempenharem atividades insalubres.

A reforma admite que trabalhadoras gestantes exerçam atividades consideradas insalubres em grau médio ou mínimo, e que lactantes desempenhem atividades insalubres em qualquer grau, exceto quando apresentarem atestado de saúde emitido por médico de confiança da mulher que recomende o afastamento durante a gestação e a lactação.

Esse trecho foi suspenso pelo ministro Alexandre de Moraes, e nesta quarta (29) o STF deve apresentar uma posição definitiva sobre o tema, a partir de uma ação de autoria da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM).

 

  • Edição: Aline Carrijo

Fonte: Juca Guimarães, Brasil de Fato

 

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