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O Brasil na contramão

Bolsonaro está essa semana nos Estados Unidos anunciando a entrega do País em diversos setores que ameaçam nossa soberania e fazendo o que é uma de suas especialidades: dar declarações polêmicas

 

Enquanto desde 2000, pelo menos 884 serviços foram reestatizados no mundo, o Brasil está entregando suas estatais. Enquanto debatem regras rígidas contra armas, como é o caso da Nova Zelândia, após atentado em mesquita que deixou dezenas de mortos naquele país, o governo brasileiro quer flexibilizar porte. Mesmo depois de tragédia numa escola em Suzano, na mesma semana, parlamentar da base do governo defendeu porte e filho do presidente apresenta projeto para flexibilizar fábrica de armas no Brasil. Enquanto países que optaram pelo regime de capitalização da Previdência lutam para voltar atrás (18 já desistiram do modelo), governo de Bolsonaro pressiona para entregar o direito à aposentadoria dos brasileiros ao mercado privado e acabar com a Previdência Pública e seu tripé social. Sem rumo, o balanço de três meses do governo Bolsonaro revela um Brasil na contramão da soberania e do desenvolvimento.
 
Os dados sobre reestatização no mundo são do TNI (Transnational Institute), centro de estudos em democracia e sustentabilidade sediado na Holanda. As reestatizações aconteceram com destaque em países centrais do capitalismo, como EUA e Alemanha. De acordo com os estudos e dados do TNI, o movimento ocorreu porque empresas privadas priorizavam o lucro e entregavam serviços caros e ruins. Os dados foram levantados entre 2000 e 2017. 

Estatal espanhola arremata aeroportos brasileiros

A reconquista de serviços públicos foi registrada pelo TNI em processos em pelo menos 55 países em todo o mundo. Foram registrados casos de serviços públicos essenciais que vão desde o fornecimento de água e energia, à coleta de lixo, programas habitacionais e até funerárias. Enquanto isso, no Brasil, essa semana Bolsonaro anunciou a venda de aeroportos brasileiros em leilão que arrecadou R$ 2,37 bilhões, valor inferior ao investido pelo Brasil em reformas de ampliação e melhorias. Vale registrar que o bloco de aeroportos do Nordeste com grande potencial turístico foi arrematado por uma estatal espanhola (Aena)

Na mira do governo ainda estão estatais estratégicas como Eletrobras, Petrobras, Valec que tem potencial para impulsionar investimento em infraestrutura no Brasil, Ebserh, Conab, Embraer, Casa da Moeda, e tantas outras, incluindo até mesmo bancos públicos, como é o caso do Banco do Brasil, também na mira da privatização. Todas, empresas do Brasil e dos brasileiros.

Para a Condsef/Fenadsef é uma irresponsabilidade entregar o patrimônio brasileiro sem o mínimo de debate com a sociedade. Em visita aos Estados Unidos essa semana, além de anunciar acordo para uso da base de Alcântara, no Maranhão, pelos americanos, um verdadeiro ataque à soberania brasileira, o presidente faz sua especialidade que é dar declarações polêmicas. Entre um anúncio e outro, que inclui também o fim da obrigatoriedade de vista para entrada no Brasil aos americanos, Bolsonaro disse que maioria de imigrantes “não tem boas intenções”, apoiando Donald Trump e seu muro. 

Mas Bolsonaro não deu declarações polêmicas sozinho. Seu ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que ele e o presidente “amam” os Estados Unidos. “Se vocês forem lá podem comprar várias coisas, podem comprar imóveis. Nós estamos vendendo. Sexta-feira passada nós vendemos 12 aeroportos. Daqui três a quatro meses nós vamos vender petróleo, o pré-sal”, declarou o ministro.

Classe trabalhadora deve reagir

Enquanto assistimos atônitos a essa falta de rumo do governo, a classe trabalhadora segue sofrendo ataques permanentes a seus direitos básicos. A tentativa de aprovar a reforma da Previdência e impor o modelo de capitalização com o fim do tripé social do INSS enfrenta resistência. Nessa sexta-feira, 22, em todo o Brasil, centrais sindicais, entidades representativas da classe trabalhadora, da sociedade civil organizada e movimentos sociais se juntam num dia nacional de lutas em defesa das aposentadorias e da Previdência Pública

Amanhã, 20, a Condsef/Fenadsef participa da reinstalação de Frente Parlamentar em defesa da Previdência e também lança campanha salarial dos servidores federais. A tarde, os fóruns que reúnem a categoria vão ao Ministério da Economia buscar a abertura de um canal de diálogo permanente para o setor público. 

MP 873: Obstáculo a ser superado

A reação dos trabalhadores depende mais do que nunca do poder de unidade e mobilização em torno da defesa de nossos direitos. Nesse cenário já adverso, as entidades representativas ainda lutam para defender a garantia dos trabalhadores de se organizar em torno de seus sindicatos. A MP 873, publicada pelo governo Bolsonaro durante o carnaval, ameaça o funcionamento de entidades com mudanças bruscas e pré-acordadas que asseguram repasse de contribuição sindical daqueles servidores que aceitam se sindicalizar. Liminares em diversos estados já foram concedidas garantindo o repasse, o STF também foi acionado para assegurar o direito constitucional dos trabalhadores de se organizar. 

 

Fonte: Condsef/Fenadsef

 

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andrade@sintrafesc.org.br

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