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Parlamentares acumulam fazendas na Amazônia e no Matopiba, revela De Olho nos Ruralistas

O Portal de Olho nos Ruralistas realizou um extenso levantamento das fazendas declaradas por deputados e senadores à Justiça Eleitoral, no ano passado, quando concorriam à vaga no Legislativo e descobriu que as regiões da Amazônia Legal e do Matopiba (formada pelo estado do Tocantins e partes do Maranhão, Piauí e Bahia), todas elas consideradas as últimas fronteiras agrícolas do país, concentram a maior parte das terras dos parlamentares.

As fazendas têm, em média mais de 100 hectares de terra. No Matopiba, o agronegócio avança sobre áreas do Cerrado e na Amazônia Legal (região que envolve os estados da região Norte, Mato Grosso e oeste do Maranhão), ameaçando a proteção de áreas de florestas e sendo a causa de conflitos sociais pela expulsão e mortes de camponeses, indígenas e quilombolas.

Segundo o De Olho nos Ruralistas, apesar de serem em menor número – 81 para 513 deputados -, os senadores possuem mais terras que os deputados. Enquanto os representantes da Câmara são donos de um total de 43,9 mil hectares de terras, espalhados por treze estados, os representantes do Senado somam 107,8 mil hectares. O site de notícias descobriu ainda que os suplentes de senadores, escolhidos durante a formação das chapas, concentram outros 37,5 mil hectares.

“A área controlada por congressistas é ainda maior. Muitos deles não colocaram o tamanho das propriedades em suas declarações nem detalhes sobre a localidade. Outros são donos de empresas de agropecuária ou de administração de bens próprios e têm propriedades em nome dessas empresas, e não como pessoas físicas. E, por isso, não são obrigados a divulgar esses dados”, escreve Leonardo Fuhrmann, que assina reportagem.

Entre os parlamentares que declaram empresas de agropecuária ao invés de detalhar o tamanho da propriedade estão a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) e seu filho, senador Irajá Abreu (PSD-TO). Kátia foi Ministra da Agricultura durante o governo Dilma Rousseff, e presidente por três mandatos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A seguir, veja a lista dos principais proprietários rurais do Congresso, começando pelo maior deles e seguindo em ordem decrescente:

1. Senador Jayme Campos (DEM-MT). Tem em seu nome propriedades que somam 43,9 mil hectares, todas no Mato Grosso. Campos é de família tradicional de políticos no MT e foi governador do estado, assim como o irmão Júlio Campos. O político já foi alvo de denúncias de trabalho análogo ao escravo;

2. Senador Acir Gurgacz (PDT-RO). O parlamentar declarou 31,6 mil hectares, em Rondônia e no município de Envira, no Amazonas, na fronteira com o Acre, uma região com muitas reservas e florestas estaduais e federais. Natural do Paraná, ele cumpre hoje pena, em regime semiaberto por crime contra o sistema Financeiro Nacional;

3. Senador Marcelo Castro (MDB-PI). Declarou 25,6 mil hectares. As propriedades de Castro ficam no Piauí. Médico de formação, o senador vem de uma família tradicional na política local e exerceu diversos mandatos como deputado. Ele é proprietário de empresas de produção e exportação de frutas tropicais.

4. Deputado Carlos Bezerra (MDB-MT). O parlamentar é o maior proprietário de terras entre os deputados, com com 8,9 mil hectares em seu estado;

5. Deputado Ricardo Barros (PP-PR). Dono de 5,2 mil hectares declarados na região do Matopiba;

6. Sérgio Toledo (PR-AL). Possui uma propriedade de 5 mil hectares em Formosa do Rio Preto, na Bahia, além de outras propriedades menores em Alagoas.

7. Deputado Ronaldo Carletto (PP-BA). Parlamentar dono de mais de 4,8 mil hectares;

Entre os suplentes no Senado, o De Olho nos Ruralistas aponta que Beto Possamai (PSL) é o maior latifundiário, com área superior a 14 mil hectares. Além disso, o político tem mais de 44 milhões em patrimônio e é suplente da juíza aposentada Selma Arruda (PSL). A reportagem lembra que os dois foram cassados por caixa dois e abuso do poder econômico pelo TRE-MT, que determinou novas eleições. A senadora mantém o mandato enquanto recorre da decisão.

Outro nome entre os suplentes que se destaca é Ireneu Orth (PP-RS), suplente de Luiz Carlos Heinze. Orth é dono de mais de 9 mil hectares fora do seu estado: três fazendas, que somam 6, 8 mil hectares em Correntina, na Bahia, e mais 1,2 mil hectares em Aripuanã, no Mato Grosso.

Já Heinze é dono de 1,6 mil hectares, divididos em várias propriedades, em São Borja, no Rio Grande do Sul. Em 2013, durante um ataque ao governo Dilma Rousseff, o então deputado federal disse que a gestão petista “aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo que não presta”.

A reportagem destaca que existe um movimento comum de políticos das regiões do Sul na obtenção de terras nas regiões da Amazônia Legal e Matopiba. Entre esses estão:

1. O deputado federal Pedro Westphalen (PP-RS), que declarou possuir 1 mil hectares em Cavalcante, município no entorno da Chapada dos Veadeiros, em Goiás;
2. O deputado Federal catarinense Celso Maldaner (MDB), que possui 1,4 mil hectares em Santarém e 1,4 mil hectares em Aveiro, área envoltória de parques e reservas nacionais, ambas no Pará;
3. Pedro Uczai (PT), deputado federal de Santa Catarina dono de um imóvel de 92 alqueires em Rio Sono, cidade turística de Tocantins.
4. E o paranaense e ex-ministro da Saúde de Temer, Ricardo Barros (PP), dono de duas propriedades, uma de 3,5 mil hectares e outra de 1,7 mil hectares, em Baixa Grande do Ribeiro, no Piauí.

Clique aqui para ler a matéria do portal De Olho nos Ruralistas na íntegra e acessar o mapa interativo mostrando as terras de cada deputado e senador.

 

Fonte: Jornal GGN/De Olho nos Ruralistas

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