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PAULO FREIRE: Educação Bancária versus Educação Libertadora

Paulo Freire faz uma crítica à Educação Bancária, na visão freireana, esse modelo de educação parte do pressuposto que o aluno nada sabe e o professor é detentor do saber. Criando-se então uma relação vertical entre o educador e o educando. O Educador, sendo o que possui todo o saber, é o sujeito da aprendizagem, aquele que deposita o conhecimento. O educando, então, é o objeto que recebe o conhecimento. A educação vista por essa ótica tem como meta, intencional ou não, a formação de indivíduos acomodados, não questionadores e submetidos à estrutura do poder vigente.

A ditadura que se instalou no Brasil, a partir de 1964, perseguiu pensadores, atravancou o país e impediu as Reformas de Base que poderiam, naquele momento, ter feito à diferença em nossa história. Sobretudo, a ditadura atacou a educação. As disciplinas das ciências humanas perderam carga horária, ou, foi substituído por disciplinas que “ensinassem a obediência”, numa ditadura o pensamento crítico precisa ser abolido.

A Ditadura Civil e Militar tratou, por exemplo, de taxar Paulo Freire como um perigoso “criminoso”. Seu crime? Alfabetizar os brasileiros. O educador brasileiro que articulou uma alfabetização libertadora fortemente vinculada a um processo de conscientização, foi um dos primeiros brasileiros a ser exilado, depois de ter sido preso por 72 dias, acusado de subversão, em 1964, partiu para o exílio no Chile, onde trabalhou por cinco anos no Instituto de Capacitação e Investigação em Reforma Agrária (Icira) e escreveu seu principal livro: “Pedagogia do oprimido” (1968). Freire ainda passou por Estados Unidos e Suíça. Nesse período, prestou consultoria educacional a governos de países pobres, a maioria no continente africano.

Em 2012, foi criada a lei que declarou Paulo Freire patrono da educação brasileira. Porém, nesses tempos sombrios, em que velhos fantasmas nos atacam e que a educação enfrenta constantes ataques, que tentam cercear o direito de ensinar e impor mordaça a educadores, o reconhecimento mundial que Paulo Freire não lhe poupa de sofrer, em seu país, o escárnio daqueles que tentam criminalizar a educação.

Se pensar é altamente perigoso. Cabe-nos perguntar perigoso para quem? Ora, para todos aqueles que uma sociedade transformada seria incomodo, isto é, todos que se beneficiam com  o status quo. E ao sentirem-se ameaçados os opressores negam o direito de pensar e impõem suas ideias com o objetivo de manter a ordem das coisas a seu favor.

Neste contexto, a escola e os educadores bancários servem ao objetivo dos dominadores que é impedir a formação de uma educação que seja libertadora, autônoma e emancipatória.

Como se dá então o conhecimento?

Na lógica da Educação Bancária o currículo mantém uma concepção epistemológica arraigada de no empirismo, através de uma escola tradicional, onde o saber é fechado e o educando é concebido como aquele que recebe a transferência do conhecimento e de informações. Cabendo ao professor o papel ativo, opressor, visão epistemológica de transferência de informações e fatos, cultura do silêncio e do falso saber. E ao aluno cabe o papel passivo, oprimido, depósito.

Nesta visão de Educação Bancária os conteúdos são automaticamente desligados da situação existencial do aluno. A comunicação é unilateral. E a Metodologia Didática  é a exposição oral pelo professor, teoria antidialógica, onde o opressor encontra sua possível ação, ou seja uma relação de poder  unilateral.  A avaliação tem como função, neste contexto,  selecionar, classificar, contabilizar.

Como bem escreveu Paulo Freire, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” ( FREIRE, 2011, p. 24) Ora, se o professor ou o material didático, fornece aos educandos o saber “mastigado”, como, ou de que forma ele, serão criadas condições para que essa construção seja feita com a autonomia deles? Mal comparando, seria como uma mãe zelosa, que estivesse preocupada com a falta de condições de seu bebê em mastigar desse a ele, somente, caldos por muitos anos, ainda que se possa compreender o zelo dessa mãe, nos restaria uma questão importante: de que forma essa criança iria criar um dentição forte?

Com a aprendizagem é preciso desde cedo, lá nos anos iniciais do Ensino Básico, que o aluno aprenda a construir seu conhecimento, que investigue, pesquise, construa seu conhecimento. Ainda em Freire “quanto mais criticamente se exerça a capacidade de aprender, tanto mais se constrói e desenvolve o que venho chamando de curiosidade epistemológica” (FREIRE, 2011, p. 27) Se a escola através do professor ou do material didático der ao aluno, principalmente, nos anos iniciais tudo pronto ou “mastigado” estará matando a curiosidade dos jovens.

Em contrapartida Freire propõe a Educação Libertadora ou Problematizadora nela  o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa. Tornando-se ambos os sujeitos do processo da construção do conhecimento. “Ninguém educa a ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. (Paulo Freire)”.

Necessariamente a Educação Libertadora abre espaço ao diálogo, a comunicação, o levantamento de problemas, o questionamento e reflexão sobre o estado atual de coisas, na busca incansável por  transformação.

Na Educação que ser quer ser Libertadora o aprender é um ato de conhecer a realidade. Na visão de Paulo Freire essa é uma prática política, que pode libertar o homem e a mulher de sua ignorância social e possibilitar, assim, a luta pelos direitos básicos, tornando-os capazes de pensar e analisar o mundo.

Segundo Freire, a educação problematizadora visa a uma transformação por ser uma educação critica. Tanto o professor quanto aluno são midiatizados pelo mundo e pela realidade que o apreende e da qual extraem o conteúdo da aprendizagem.  Os conteúdos então,  passam a ser temas geradores extraídos da problematização da prática para despertar uma nova forma de relação com a experiência vivida. (Libânio)

Inquietamente deveras que, geralmente, o aluno goste da escola até o 5º ano das séries iniciais e que depois esta se torne um fardo pesado que ele é obrigado carregar por mais alguns anos.  E, muitas vezes, isso ocorre porque eles deixam um professor incentivador para  se depararem com disciplinas e professores compartimentados  onde, não poucas vezes, o lado humano é esquecido.

Na educação  problematizadora tem o aluno e o professor, o professor e aluno papeis importantes no processo pedagógico. Oportunizando que a aprendizagem venha da realidade concreta. Para tanto é preciso que se renovem os espaços escolares de modo que tenhamos um ambiente motivador. Na busca do crescimento pessoal do educando, mas também de seu crescimento social e coletivo. Na convivência respeitosa com as diferenças e os diferentes. Para tanto, precisamos a intervenção na prática pedagógica do professor, dos currículos, nos programas, nos sistemas educacionais, bem como na sociedade.

O envolvimento do professor para que seja possível, então  (re) criação dessa nova prática, é indispensável. Não se faz uma Educação Libertadora sem um professor  engajado e comprometido com esse objetivo. Por isso, desejam tanto calar educadores e criminalizar a educação.

 

Fonte: Fábio St Rios, A Postagem

 

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