a
HomeNotíciasAposentadoriaServidores Federais devem se unir aos demais trabalhadores contra reforma da Previdência

Servidores Federais devem se unir aos demais trabalhadores contra reforma da Previdência

Depois de muita especulação em torno da reforma da Previdência do governo Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, finalmente admitiu que ela incluirá um regime de capitalização. Nesse modelo, os recursos da aposentadoria do trabalhador sairão do seu próprio salário. Atualmente, o modelo é de repartição e as contribuições dos trabalhadores em atividade e das empresas custeiam os benefícios dos aposentados. 

A mudança terá um custo alto para os trabalhadores brasileiros, admitido pelo próprio Paulo Guedes. A geração atual terá que acumular na capitalização a própria aposentadoria e irá, através do governo, continuar pagando para os aposentados como um todo. Essa geração terá uma dupla carga, terá que pagar para eles e para seus pais. Esse é o problema. Com isso, estima-se que a mudança no sistema pode custar o equivalente a 4,1 bilhões de dólares ao bolso dos brasileiros. Esse período de transição duraria cerca de 20 a 30 anos. 

A proposta da previdência de Bolsonaro está sendo revisada no Chile. Ela foi implantada naquele país em 1981, com a ajuda do próprio Paulo Guedes. O sistema promoveu uma grande discrepância entre os salários dos trabalhadores da ativa e dos aposentados, que passaram a acumular grandes dívidas. Lá as aposentadorias de hoje são 30% menores do que se pagava antes de o modelo ser implantado. Os aposentados perderam 70% da sua renda. 

No Chile, o trabalhador não contribui para o governo. Ele paga uma parcela do salário para uma administradora de fundo de pensão, que administra os recursos até sua aposentadoria. Caso o fundo aplique mal o dinheiro, o prejuízo é suportado pelo segurado. Não há contribuição do empregador para a aposentadoria e não há garantia de valor mínimo a ser recebido pelo aposentado. 

“A implantação de um sistema parecido com o chileno, no Brasil, é um massacre da classe trabalhadora. Não poderemos aceitar. Os servidores federais precisam se unir aos demais trabalhadores brasileiros em mobilizações de rua por todo o país e no Congresso para derrubarmos essa proposta”, destacou o diretor de imprensa e divulgação do Sindsep-PE e da CUT, Fernando Lima.   

Outras Mudanças

O regime de capitalização estará no mesmo texto que irá trazer regras ainda mais duras que as propostas de Michel Temer (MDB), rejeitada pela grande maioria da população, para o sistema previdenciário. 
Um homem de 50 anos, empregado há 30 no setor privado, poderia se aposentar, pelas regras atuais, em 2024, com 55 anos de idade. Com a reforma de Temer, ele teria acesso ao benefício apenas em 2027, quando teria 58 anos. Já pela nova proposta, assinada pelo economista Paulo Tafner e pelo ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, o trabalhador só poderia parar aos 60 anos, ou seja, em 2029.

Para os servidores público, no entanto, há um entendimento diferente. O texto conhecido até o momento é mais brando, o que não é garantia de nada devido aos diversos recuos desse Governo. Mas o grupo entendeu que a resistência do funcionalismo foi um dos entraves para o andamento da proposta que ficou parada na Câmara. “É justamente de outra resistência como essa que precisamos para impedir essas mudanças. Isso porque, depois de aprovadas, eles podem voltar atrás e enviar uma nova proposta incluindo os servidores públicos no bolo geral”, alertou Fernando Lima.   

Hoje, os economistas sugerem que os servidores que ingressaram antes de 2003 mantenham o direito à integralidade (último salário da carreira) e à paridade (reajustes iguais aos dos ativos), desde que cumpram a regra de transição. O texto do governo anterior exigia que, para ter esses benefícios, era preciso ter a idade mínima final de 65 anos. 

Como os demais brasileiros, o presidente, Jair Bolsonaro (PSL), ainda não conhece os detalhes da proposta de Reforma que está sendo comandada por Paulo Guedes e deverá ser apresentada, em fevereiro, ao Congresso Nacional. O presidente que não governa só deverá receber uma versão do texto na próxima semana.     
 

Fonte: Ascom Sindsep-PE

Share With:

andrade@sintrafesc.org.br

Sem comentários

Deixe um comentário