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Unidas, mulheres rejeitam reforma da previdência

Atos chamados por mulheres em todo o Brasil mostram que a defesa da aposentadoria pública é consenso, apesar da diversidade do movimento

 

Dezenas de cidades do mundo clamarão por igualdade e contra a violência de gênero nesta sexta-feira, 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres. No Brasil, diante da ameaça de alteração previdenciária que prejudicará mais mulheres do que homens, a defesa da aposentadoria pública será destaque na maioria dos protestos. Entidades sindicais se somarão aos atos por todo o País.

Os protestos são construídos e chamados por amplo leque de representações de mulheres, atuantes em movimentos sociais, sindicatos, partidos, coletivos ou independentes. Apesar da diversidade de bandeiras levantadas, muitas ainda não consensuadas entre as próprias ativistas, a derrubada da PEC 06/2019 de Jair Bolsonaro tem acordo entre todas e é urgente.

Para a Secretária de Gênero, Raça, Etnia e Opressões da Condsef/Fenadsef, Erilza Galvão dos Santos, existe uma questão de fundo no debate sobre a reforma da previdência que toca diretamente as mulheres. “Qualquer alteração no mercado de trabalho nos atinge mais porque não temos apenas uma jornada de trabalho. Sempre pesa para nosso lado e nos sobrecarrega”, assegura.

“A reforma da previdência está intimamente ligada à reforma trabalhista, esta já aprovada. No momento que precarizo o trabalho, precarizo a previdência e vice-versa”, explica Erilza. “Se existe restrição de direitos na questão de trabalho, se alguém da família deixa de trabalhar, sobra para as mulheres. Se um familiar fica doente, quem cuida são as mulheres. Elas vão trabalhar dobrado, mas mesmo assim a reforma proposta por Bolsonaro quer aumentar nosso tempo de serviço e contribuição”, complementa.

O 8 de Março é memorável por seu histórico operário e foi internacionalizado como referência histórica em prol de melhores condições de trabalho para as mulheres. É oportuno que a bandeira contra a reforma da previdência seja hasteada nesta sexta-feira.

Pelo fim das violências de gênero

Além da defesa da aposentadoria pública, outras demandas serão levantadas pelas mulheres. A luta contra o feminicídio e contra a violência de gênero, que diariamente causam vítimas no país, também terá destaque nas manifestações.

Em 2017, dados sistematizados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou mais de 160 casos de estupro diários no Brasil, sendo que a previsão é de que os números denunciados sejam subnotificados e representem apenas 10% dos casos. De acordo com a mesma fonte, o país registra mais de 600 ocorrências diárias de violência doméstica.

“Todos os dias ouvimos falar de casos assustadores, que não são isolados. As próprias instituições questionam os casos de violência, que é estrutural. As políticas públicas não estão com atenção específica para isso, acham que não há perigo e mais uma vez são as mulheres que estão sofrendo”, comenta Erilza.

Justiça para Marielle Franco

Outra reivindicação terá destaque nos atos das mulheres nesta sexta-feira: a exigência de justiça para Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro executada brutalmente em 14 de março de 2018, junto com seu motorista Anderson Gomes. Perto de se completar 1 ano sem respostas para o crime, o Dia Internacional de Luta das Mulheres colocará a ex-parlamentar negra e lésbica como uma das protagonistas das manifestações.

A Condsef/Fenadsef, consciente dos desafios que as mulheres enfrentam neste contexto de misogenia institucionalizada, convoca todas as trabalhadoras para se unirem aos atos espalhados por todo o país. Homens que queiram se somar para apoiar as reivindicações são bem-vindos.

“É de suma importância a organização das mulheres, ainda mais neste contexto de tantas violências que sofremos. As mulheres têm que se arriscar e se organizar, têm que falar com mais mulheres. Uma puxa a outra para se fortalecer”, finaliza Erilza Galvão.

Confira abaixo os detalhes das manifestações em todo o Brasil:

 

Confira a programação em Florianópolis:

 

  • Capa: 8 de Março de 2018, Brasília / Foto: Mídia NINJA
  • Edição: Zeh Andrade

Fonte: Condsef/Fenadsef

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andrade@sintrafesc.org.br

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