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Agronegócio bate recorde de exportações em 2021, ano das filas do lixo e do osso

As exportações do agronegócio em 2021 somaram recorde de US$ 120,59 bilhões, alta de 19,7%, em relação ao ano anterior, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura. Em dezembro, o desempenho do setor também foi recorde, de US$ 9,88 bilhões, 36,5% superior aos US$ 7,24 bilhões de 2020.

 

Segundo o ministério, em nota, no último mês do ano o resultado foi puxado pelo forte aumento dos preços dos produtos exportados (22,5%) e, também, da expansão do volume exportado (11,4%). “Além dos preços elevados, houve recorde no volume exportado pelo Brasil no agronegócio (15,62 milhões de toneladas). De acordo com os analistas da SCRI, os destaques foram para soja em grãos (2,71 milhões de toneladas; +889,5%); farelo de soja (1,72 milhão de toneladas; +82%); celulose (1,64 milhão de toneladas; +28,8%); e carnes (667 mil toneladas; +3,3%)”, disse a pasta.

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) atingiu R$ 1,129 trilhão em 2021, 10,1% acima do valor alcançado em 2020, de R$ 1,025 trilhão, segundo o Ministério da Agricultura. Levantamento da Secretaria de Política Agrícola mostra que as lavouras somaram R$ 768,4 bilhões, o equivalente a 68% do VBP e crescimento de 12,7% na comparação com 2020; e a pecuária, R$ 360,8 bilhões (32% do VBP), alta de 4,9%. Em nota, diz que o bom desempenho ocorreu mesmo diante da falta de chuvas, seca e geadas em regiões produtoras.

Mas esses ganhos ficaram apenas para uma minoria de grandes proprietários de terra, traders e outros empresários, pois a maioria da população viveu um aumento record da inflação, que atingiu sobretudo o preço dos alimentos, chegando a casa de dois dígitos em 2021. Uma situação que acarretou nas cenas chocantes de mães revirando lixo a procura de um pedaço de carne, como visto em Fortaleza. Ou a população carioca que fez uma longa fila para receber doação de ossos. No Rio Grande do Norte houve registro de famílias se alimentarem de carcaças e até mesmo de lagartos. As cenas da fome foram muitas.

Esses enormes ganhos para o agronegócio foram protagonizados pela política de Bolsonaro, Mourão e apoiada pelos militares, de “passar a boiada” sobre os biomas do país, como Amazônia, Cerrado e Pantanal, assim como aumentando a perseguição aos povos indígenas nas suas terras e assentamentos. Mas também o STF e os governadores da direita, e a grande mídia, foram parte de sustentar essa política de garantia dos lucros do agronegócio e de maior dependência do país a essas exportações, levando inclusive a colocar em discussão no STF a implementação do Marco Temporal, barrado pela forte mobilização indígena em Brasília. Para acabar com a fome, é necessário se enfrentar com esses lucros do agronegócio e seus representantes, tanto a extrema-direita e os militares, quanto a direita neoliberal. Portanto é necessário superar a política de conciliação do PT, que busca se aliar com essa direita e ganhar apoio do agronegócio para voltar a governar o país, o que vai apenas seguir reproduzindo as condições de fome da população.

É urgente um plano de luta contra a fome e o desemprego


 

Fonte: Esquerda Diário

 

 

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