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Atentados de 11 de setembro: os 149 minutos de caos e terror que mudaram o mundo

Naquela manhã de fim de verão, o mundo mudou. Era 11 de setembro de 2001, dia em que quatro aviões foram sequestrados para atacar edifícios emblemáticos do poder econômico, político, militar e cultural dos Estados Unidos.

Com um total de 2.996 mortes, o 11 de setembro foi e é o maior atentado em solo americano da história — e suas consequências estão sendo sentidas até hoje.

O maior exemplo são as críticas à recente saída dos EUA do Afeganistão após 20 anos de guerra e ocupação.

Mas os efeitos também podem ser sentidos em um nível mais pessoal, em gerações inteiras que lembram exatamente onde estavam nesse dia em que sua trajetória se fundiu com a História.

A seguir, o que aconteceu naqueles 149 minutos de perplexidade, caos e terror.


07:59

11 DE SETEMBRO DE 2001


O voo 11 da American Airlines (AA11) decola do Aeroporto Internacional de Logan em Boston para Los Angeles com a capacidade máxima da tripulação, ou seja, o piloto e o copiloto mais nove comissários de bordo.

Entre os 81 passageiros, estão cinco sequestradores, um dos quais é o líder tático dos atentados, o egípcio Mohamed Atta.

O plano está em andamento.

Mas a ideia havia nascido 5 anos antes, quando a Al-Qaeda, de sua sede no Afeganistão, buscava novas formas de atacar os EUA.

O paquistanês Khalid Sheikh Mohammed levantou a possibilidade de treinar pilotos para sequestrar aviões e usá-los como armas, jogando-os contra edifícios de importância real e simbólica.

Montagem de fotos de Khalid Sheikh Mohammed e Osama Bin Laden

Khalid Sheikh Mohammed (esq.) deu a Osama Bin Laden (dir.) a ideia de jogar aviões contra edifícios

A aprovação do plano partiu do próprio líder da Al-Qaeda, um multimilionário saudita que começava a aparecer no radar das agências de inteligência americanas, mas que mais tarde se tornaria o homem mais procurado do mundo: Osama Bin Laden.

08:14

Em outro terminal no mesmo aeroporto de Boston, o voo 175 da United Airlines (UA175) também decola com destino a Los Angeles, com nove tripulantes e 56 passageiros a bordo. Cinco deles são sequestradores.

Enquanto isso, no voo AA11, os sequestradores conseguem entrar na cabine de comando e assumir o controle da aeronave.

O ataque começa com dois comissários de bordo esfaqueados provavelmente pelos sequestradores que viajavam na primeira classe. Em seguida, Atta, o único dos cinco que havia sido treinado para pilotar o avião, sai da classe executiva escoltado por outro sequestrador, enquanto o quinto esfaqueia um passageiro.

A vítima é Daniel Lewin, que havia servido quatro anos no exército israelense e estava sentado bem atrás de Atta. Acredita-se que ele morreu enquanto tentava impedir o sequestro, sem saber que havia outro sequestrador atrás dele.

Assim como acontecerá nos demais voos, o restante da tripulação e dos passageiros são obrigados a se deslocar para a parte traseira da aeronave. Neste caso, eles usam um gás lacrimogênio e ameaçam com uma bomba que, acredita-se, nunca existiu.

De lá, a comissária de bordo Betty Ong faz uma ligação para a central de reservas da American Airlines alertando sobre o possível sequestro do AA11.

08:20

É a vez do voo 77 da American Airlines (AA77), que decola do Aeroporto Internacional de Washington Dulles, em Washington D.C., com seis tripulantes e 58 passageiros a bordo, incluindo cinco sequestradores. O destino também é Los Angeles.

Não é por acaso: todos os aviões sequestrados estavam previstos para viajar de costa a costa e, portanto, decolam com os tanques cheios, com até 43 mil litros de combustível.

Nas mãos dos sequestradores, os aviões vão se tornar mísseis pilotados.

08:24

Atta tenta se comunicar com os passageiros, mas por engano dá a notícia do sequestro ao centro de controle aéreo de Boston, revelando ainda que eles não sequestraram apenas um, mas vários aviões.

O controlador de tráfego aéreo não entende bem e, ao tentar descobrir o que está acontecendo, chega uma segunda mensagem de Atta que não deixa dúvidas: o AA11 acaba de ser sequestrado.

A esta altura, os sequestradores já desligaram o transponder do avião, dispositivo que ajuda o controle de tráfego aéreo a identificar cada aeronave e saber sua direção, velocidade e altitude. Localizá-lo, então, passa a ser um problema.

A notícia do sequestro do voo começa a subir na hierarquia de comando da Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês), a agência governamental responsável por regular a aviação civil nos Estados Unidos.

No entanto, leva mais de meia hora até que a FAA e as companhias aéreas entendam o verdadeiro significado do “temos alguns aviões” enunciado por Atta.

Por isso, os voos em todo o país continuam cumprindo sua programação normal, sem receber nenhum aviso. Entre eles, está o quarto e último avião sequestrado naquele dia.

08:42

O voo 93 da United Airlines (UA93) decola do Aeroporto Internacional de Newark, em Nova Jersey, com destino a San Francisco. A aeronave estava prevista para sair às 8h, mas se atrasa devido ao volume de tráfego que costuma haver no período da manhã.

Essa alteração aparentemente trivial acaba sendo decisiva para o fracasso dos sequestradores.

Mas outro detalhe também pode ter sido fundamental. O voo decola com sete tripulantes e 37 passageiros a bordo, incluindo quatro sequestradores, e não cinco como nas outras três aeronaves.

Enquanto o UA93 levanta voo, o segundo avião é tomado pelos sequestradores, o UA175.

08:44

Meia hora após ser sequestrado, o AA11 cruza o céu claro de Nova York.

Não apenas está sem nuvens, como também não há aviões: os controladores de tráfego aéreo acreditam que a aeronave se dirige ao Aeroporto Internacional John F. Kennedy e pedem aos demais pilotos que saiam do caminho.

Apesar dos riscos, a comissária de bordo Madeline Sweeney passa cerca de 15 minutos relatando cada evento à American Airlines por meio de um telefone na parte de trás do avião. Até que o AA11 começa a descer, mas não onde se espera.

“Tem algo errado. Estamos em descida acelerada… estamos indo de maneira errática”, diz ela.

Em seguida, o interlocutor pergunta se ela pode olhar pela janela e descobrir onde estão. Sweeney faz isso e descreve o que serão seus momentos finais.

“Estamos voando baixo. Estamos voando muito, muito baixo. Estamos voando baixo demais. Meu Deus, estamos baixo demais!”Madeline Sweeney, comissária de bordo do AA11

A ligação é cortada.

08:46

AA11 se choca contra a Torre Norte, uma das Torres Gêmeas do World Trade Center (WTC), os arranha-céus de 110 andares que há três décadas estampavam os cartões postais de Nova York.

A perplexidade é absoluta.

Constance Labetti está trabalhando no 99º andar da Torre Sul quando vê o primeiro avião chegando: “Fiquei paralisada. Não me mexi. Não conseguia me mover. Fiquei perto da janela”, conta.

Ela é uma das vozes de sobreviventes e familiares de vítimas que fazem parte do Memorial e Museu do 11 de setembro, localizado no próprio WTC.

“Eu podia vê-lo se aproximando cada vez mais. Podia ver o ‘AA’ na traseira. Podia ver a cabine do piloto. Podia ver dentro da cabine, as janelas polarizadas da cabine. Foi tão perto assim”, acrescenta.

Torre Norte do WTC em chamas logo após o ataque

O impacto contra a Torre Norte soa como um rugido, diz Labetti.

“Por um momento, apenas nesse momento, eu estava quase (suspirando) de alívio, até que me dei conta que todas aquelas pessoas tinham acabado de morrer”, relata.

Ao se chocar, o avião atinge o prédio entre o 93º e o 99º andar, matando centenas de pessoas. Acredita-se também que deixa inacessíveis todas as escadas do 92º andar para cima, o que significa que centenas de outras pessoas ficam vivas, mas presas.

O impacto também faz com que o combustível da aeronave gere uma bola de fogo que destrói pelo menos um grupo de elevadores e provoca explosões em andares inferiores, incluindo o saguão da West Street e o nível B4, quatro andares no subsolo.

Em alguns lugares, as temperaturas chegam a 1.000ºC, e uma densa fumaça preta envolve os andares superiores não só da Torre Norte, mas também da Sul.

Lá, o sistema de som dá a ordem de não deixar o prédio, mas o chefe de Labetti na Aon Corporation, Ron Fazio, manda todos saírem do edifício imediatamente pelas escadas. Essa decisão salvará dezenas de pessoas.

08:47

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, está prestes a entrar em uma sala de aula da escola primária Emma E. Booker em Sarasota, na Flórida, quando é informado de que “um pequeno avião bimotor” colidiu com uma das Torres Gêmeas.

Bush é notificado de que não há mais informações disponíveis e decide continuar com seu plano de ler para as crianças.

George W. Bush em uma sala de aula da escola primária Emma E. Booker em Sarasota, na Flórida

Embora a esta altura a FAA já esteja ciente do sequestro do primeiro avião há mais de 20 minutos, não há registro de que outra agência em Washington tenha conhecimento.

A Casa Branca também não está a par.

Lá se encontra o vice-presidente, Dick Cheney, que fica sabendo pela televisão e reage talvez como milhões de pessoas em todo o mundo: “Como diabos um avião pode se chocar contra o World Trade Center?”, questiona.

Aproximadamente neste momento, os sequestradores assumem o controle do terceiro avião, o AA77.

08:56

Dez minutos após a colisão, nos andares mais altos da Torre Norte há poucos lugares para se refugiar do calor, do fogo e da fumaça, e as primeiras pessoas começam a cair de mais de 300 metros de altura. Ou a pular.

A tragédia ganha uma nova dimensão de horror.

09:01

É tamanho o caos no centro de controle aéreo da FAA em Nova York que o segundo avião, o UA175, consegue cruzar o céu da cidade sem transtornos, apesar de nunca ter desligado o transponder e de estar longe de sua rota.

“Temos vários problemas acontecendo aqui. Estão aumentando muito, muito. Precisamos trabalhar com os militares… Estamos, estamos metidos em algo maior, há outro avião aqui que pode estar com um problema semelhante”Gerente do Centro de Controle da FAA em Nova York

Quando a informação de um possível novo sequestro chega ao comando central da FAA, é tarde demais para tomar uma atitude.

09:03

UA175 se choca contra a Torre Sul do WTC, atingindo o prédio entre o 77º e o 85º andar.

Apenas 17 minutos se passaram desde o primeiro impacto na Torre Norte, e o que já era a maior operação de resgate da história de Nova York passa a ser duas vezes maior.

Explosão após o impacto do segundo avião na Torre Sul do World Trade Center

Labetti ainda está descendo as escadas quando o avião se choca contra a torre em que ela está.

“Acho que havia chegado ao 72º, 75º andar, quando sentimos e ouvimos um barulho forte”, ela relata para o Memorial e Museu do 11 de Setembro.

“Foi como se alguém pegasse o prédio, sacudisse e colocasse de volta no lugar”, explica. “Me segurei com muita força no corrimão para não cair. Mas muita gente na escada estava caindo”.

Labetti continua descendo com seu chefe e outros colegas, acreditando que a Torre Norte havia desabado contra o prédio em que estavam.

No entanto, milhões de pessoas assistem ao vivo a um segundo avião atingir a segunda torre. A ideia inicial de um acidente perde o sentido.

Diferentemente do que aconteceu com o primeiro avião, o UA175 se inclina antes da colisão, deixando intactas partes inteiras do prédio nos próprios andares contra os quais se chocou.

Uma das escadas também permanece acessível pelo menos do 91º andar para baixo, mas a descida não é fácil. O fogo, a fumaça, a escuridão e o cheiro de combustível tornam a fuga cada vez mais difícil.

E há mais um problema: o 911.

A confusão chega ao serviço de emergência telefônica, que repetidas vezes aconselha as pessoas em ambas as torres a permanecerem onde estão e esperarem por socorro, independentemente de estarem acima ou abaixo das zonas de impacto ou poderem sair do prédio por conta própria.

Pessoas na rua e paramédicos atendendo um ferido após o impacto dos aviões nas Torres Gêmeas em Nova York

Embora haja números divergentes, os sobreviventes da Torre Sul que conseguem descer da zona de impacto ou dos andares acima não passam de duas dezenas.

09:05

Bush está sentado em frente a uma criança de sete anos quando o chefe de gabinete da Casa Branca, Andrew Card, sussurra em seu ouvido a notícia do segundo ataque às Torres Gêmeas.

Andrew Card conta no ouvido de George W. Bush a notícia sobre o segundo ataque contra as Torres Gêmeas

“Um segundo avião atingiu a segunda torre. Os Estados Unidos estão sob ataque”Andrew Card, chefe de gabinete da Casa Branca, para George W. Bush

O presidente permanece lá sentado, balançando levemente a cabeça e apertando os lábios.

“Não queria fazer nada dramático. Não queria levantar da cadeira e assustar uma sala cheia de crianças. Então, esperei”, explica Bush no documentário da BBC 9/11: Inside the President’s War Room(“11-S: Dentro da sala de guerra do presidente”, em tradução livre).

Em sua opinião, “durante uma crise, é muito importante dar o tom e não entrar em pânico”.

09:24

Pouco depois do segundo impacto contra as Torres Gêmeas, a American Airlines e a United Airlines tomaram a decisão de não permitir que outros voos decolassem em todo o país.

Ed Ballinger, controlador de tráfego aéreo da United Airlines com mais de 40 anos de experiência, decide dar um passo além e enviar uma mensagem o mais concisa possível alertando sobre a situação para cada um dos voos que estão sob seu radar naquele dia.

UA93 é um deles e está a poucos minutos de se tornar o quarto avião sequestrado.

“Cuidado com qualquer invasão na cabine: dois aviões se chocaram contra o World Trade Center”, diz o texto de Ballinger.

O piloto do UA93, Jason Dahl, responde: “Ed, confirme a última mensagem, por favor”, mas a ratificação não chega a tempo.

Anos depois, Ballinger continuaria com o remorso de que talvez sua mensagem tenha sido tão concisa que acabou não sendo clara o suficiente.

09:28

“Mayday!”, grita o capitão ou copiloto do UA93 em meio a sons de luta.

O centro de controle em Cleveland, Ohio, recebe o sinal de alerta, mas não há nada que possam fazer. Os sequestradores assumem o controle do avião.

A tomada da cabine do UA93 começa 46 minutos após a decolagem — e não meia hora depois, como nos outros três aviões. Esta demora, além do atraso de 42 minutos na decolagem, serão decisivos para o desfecho do voo.

Liderados pelo libanês Ziad Jarrah, os sequestradores repetem a estratégia de usar uma suposta bomba como ameaça, garantir que estão retornando ao aeroporto e levar os passageiros para o fundo da aeronave.

“Senhoras e senhores, quem fala é o capitão. Por favor, sentem-se e permaneçam sentados. Temos uma bomba a bordo. Então sentem-se”Ziad Jarrah, sequestrador pilotando o UA93

Já na parte traseira do avião, são feitas pelo menos 37 ligações dos telefones da aeronave e de celulares particulares. Muitos explicam a seus interlocutores que os sequestradores não parecem preocupados em vê-los falar com pessoas de fora.

É assim que os passageiros ficam sabendo do ataque às Torres Gêmeas e do destino que os aguarda se não agirem.

09:34

No Departamento de Justiça, em Washington D.C., já se sabe que há um terceiro avião sequestrado. O procurador-geral, Theodore Olson, tinha recebido a notícia por meio de sua esposa, Barbara Olson, que está a bordo do AA77.

“Ted, o que posso fazer?”, ela havia perguntado a ele antes da ligação ser cortada.

Na FAA, os funcionários estão a meia hora à procura do avião, mas, como o transponder está desligado, não conseguem localizá-lo. Só agora decidem informar os militares.

“Estamos procurando… Também perdemos o American 77”, diz o centro da FAA em Washington para o Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (Norad, na sigla em inglês).

Mais uma vez, os militares ficam sabendo tarde demais. Nesse dia, o maior intervalo de tempo que eles tiveram entre receber a notificação do sequestro e a colisão foi com o primeiro avião: apenas 9 minutos.

Em paralelo, o Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, informa ao Serviço Secreto que uma aeronave não identificada está se dirigindo à Casa Branca. O vice-presidente é levado para um bunker.

Só que o avião faz uma curva de 330 graus. E já não se dirige mais para a Casa Branca, nem para o Capitólio: segue em direção ao Pentágono, que fica a apenas oito quilômetros de distância, e com força total: a 800 km/h.

09:37

AA77 se choca contra a fachada oeste do Pentágono, gerando uma bola de fogo que se eleva 60 metros acima do teto.

Explosão após o impacto do voo AA77 contra a parede oeste do Pentágono

Imagem de câmera de segurança do Pentágono mostra a explosão causada pelo impacto do AA77

As 64 pessoas a bordo no avião morrem, além de 125 que estão na sede do Departamento de Defesa. Outras 100 ficam gravemente feridas.

Na cobertura ao vivo dos atentados, o ataque ao Pentágono é ofuscado pela espetacularidade e dimensão da tragédia que ainda se desenrola em Nova York. Bush não vê assim.

“Foi nesse momento que percebi que estávamos em guerra”, disse ele no documentário da BBC

“O primeiro avião foi um acidente, o segundo foi um ataque e o terceiro foi uma declaração de guerra.”

Bombeiros apagando o fogo no Pentágono

09:42

Após a notícia do ataque ao Pentágono, o centro de comando da FAA emite uma ordem sem precedentes: todas as aeronaves comerciais e em geral devem pousar imediatamente no aeroporto mais próximo.

Ao todo, cerca de 4,5 mil aterrissam nos Estados Unidos.

O único voo sequestrado que continua no ar, o UA93, desliga seu transponder.

09:57

A esta altura, a tripulação e os passageiros do UA93 sabem que, se não fizerem alguma coisa, seu destino é a morte.

Um dos muitos alertas que vêm do solo é de Alice Hoagland, que deixa duas mensagens de voz para o filho, Mark Bingham.

“Mark, aparentemente eles são terroristas e estão decididos a derrubar o avião, então se você puder, tente assumir o controle da aeronave”, ela aconselha em uma das mensagens que termina com as seguintes palavras: “Eu te amo, querido. Boa sorte”.

De acordo com uma das ligações, todos votam no que fazer e decidem se rebelar contra os sequestradores e tentar recuperar o controle da aeronave.

“Todo mundo está correndo para a primeira classe. Tenho que desligar. Adeus”Passageiro a bordo do UA93 ao interromper uma ligação para um ente querido

09:58

CAI A TORRE SUL

09:58

Em uma nova cena de terror, a Torre Sul desmorona sobre si mesma em apenas 11 segundos.

O desabamento mata todos os que estão no prédio, além de outras pessoas na rua e no hotel Marriott, localizado dentro do complexo do WTC.

Constance Labetti é uma das pessoas que conseguem escapar da torre e da gigantesca nuvem de poeira e destroços que se forma após o colapso.

Na manhã seguinte, ela descobre que Ron Fazio, seu chefe e “herói”, aquele que estava logo atrás dela e que encorajou todos no escritório a deixar a torre, nunca conseguiu chegar em casa.

10:03

Há seis minutos os passageiros do UA93 tentam entrar na cabine de comando para tirar o controle da aeronave das mãos dos sequestradores.

Na caixa preta, ficam gravados os gritos e ruídos das tentativas de arrombar a porta, que se somam ao som de pratos e vidros se quebrando cada vez que Jarrah, o sequestrador que está pilotando, faz movimentos bruscos com o avião para tentar pôr fim à revolta dos passageiros.

“É isso? Devemos acabar com tudo?”, Jarrah pergunta, ao ver que seus esforços são inúteis. Alguns dos outros sequestradores respondem: “Não. Ainda não. Quando vierem todos, a gente acaba”.

Eles ainda estão a 20 minutos de voo de Washington D.C., destino final do ataque, mas os sequestradores já perceberam que têm no máximo alguns segundos.

Jarrah volta a perguntar: “É isso? Quer dizer, devemos derrubar (o avião)? Desta vez, a resposta é diferente: “Sim, esquece tudo e derruba”, seguido por um frenético: “Derruba! Derruba!”.

UA93 começa a baixar. Os sequestradores são ouvidos exclamando: “Allah é o maior!”, enquanto os passageiros continuam seu contra-ataque.

O avião cai em um campo em Shanksville, na Pensilvânia. Ninguém sobrevive.

A Casa Branca passa vários minutos sem saber se o avião havia sido abatido ou não pelos militares, que haviam recebido a ordem de derrubá-lo para evitar que atingisse seu objetivo, fosse a residência presidencial ou o Capitólio.

“Acontece que os passageiros a bordo conseguiram se mover com mais rapidez e eficiência do que nós. Foram enormemente corajosos e salvaram centenas de vidas”Dick Cheney, ex-vice-presidente dos Estados Unidos.

10:28

CAI A TORRE NORTE

10:28

Já se passaram 102 minutos desde o impacto do AA11 na Torre Norte, o primeiro alvo do atentado. Embora o prédio resista quase o dobro do tempo que sua torre gêmea, o destino é o mesmo: em questão de nove segundos, desaba sobre si mesmo.

Bill Spade (foto abaixo), do Corpo de Bombeiros de Nova York, está a poucos metros da Torre Norte: “Me lembro de ser jogado cerca de 12 metros contra uma parede e começar a ser soterrado”, narra ele em um vídeo do Memorial e Museu do 11 de setembro.

Retrato do bombeiro Bill Spade

Emocionado, ele conta que, em sua mente, chega a se despedir da esposa e dos dois filhos e que, quando finalmente consegue se livrar dos escombros, leva uma hora para encontrar uma saída em meio a tanta destruição.

Mais tarde, Spade descobre que era o único sobrevivente dos 12 bombeiros de sua corporação e que seu tio morreu a bordo do UA93.

O desabamento da Torre Norte mata todo mundo que ainda está lá, com exceção de 12 bombeiros, um policial e três civis que se encontram na escada B da Torre Norte, que passa a ser lembrada como “a escada dos sobreviventes”.

Destruição após a queda das duas Torres Gêmeas

“Os ataques de 11 de setembro foram eventos completamente desproporcionais”, diz o Relatório da Comissão do 11 de Setembro, documento sobre os ataques redigido por parlamentares americanos de ambos os partidos e publicado em meados de 2004.

Com 2.977 mortos (sem contar os 19 sequestradores), representa o maior número de óbitos em solo americano provocado por um ataque estrangeiro.

É também a maior baixa de equipes de resgate em um evento na história do país. Por exemplo, somente em Nova York, 343 dos mortos eram bombeiros.

Além disso, durante os ataques e durante os meses de limpeza e reconstrução, cerca de 400 mil pessoas foram expostas a toxinas, lesões e danos emocionais que causaram doenças crônicas e até a morte de milhares delas, segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos EUA.

Um caso famoso é o de Marcy Borders, a dust lady (“moça da poeira”, em tradução livre) que protagonizou uma das fotos mais emblemáticas deste dia — ela sofreu depressão e dependência química após os atentados. Em 2015, aos 42 anos, Borders faleceu de câncer de estômago que, segundo ela, foi consequência do pó que ingeriu naquele dia.

Retrato de Marcy Borders

Marcy Borders ficou conhecida como a “moça da poeira” ao ser fotografada escapando dos escombros

Mas poderia ter sido ainda pior. Estima-se que às 8h46 daquele 11 de setembro, havia entre 16.400 e 18.800 pessoas no complexo do WTC. Além disso, o UA93 nunca chegou ao seu destino em Washington D.C., o que potencialmente evitou centenas de outras mortes.

Mas o 11 de setembro também foi sem precedentes no aspecto tático.

De acordo com o Relatório da Comissão do 11 de Setembro, o setor aéreo comercial do país “nunca havia enfrentado múltiplos sequestros. Nenhum plano desse tipo havia sido executado em qualquer lugar do mundo em mais de 30 anos e jamais nos Estados Unidos”.

As agências de segurança, por sua vez, “tiveram dificuldade em improvisar uma defesa nacional contra um desafio sem precedentes que nunca tinham enfrentado antes e nunca tinham sido treinadas para enfrentar”.

Vista aérea da destruição no local do World Trade Center

O inimigo, diz o relatório, acabou sendo uma organização “sofisticada, paciente, disciplinada e letal”, “com base em um dos países mais pobres, remotos e menos industrializados do mundo”.

O texto se refere à Al-Qaeda, grupo então liderado por Bin Laden e com sede no Afeganistão, país governado pelo Talebã.

“Não faremos distinção entre os terroristas que cometeram estes atos e aqueles que os protegem”, disse Bush naquele mesmo 11 de setembro em uma mensagem emitida da Casa Branca.

Em conversas internas, conforme conta ao documentário da BBC o então assessor de inteligência de Bush, Michael Morell, a posição do presidente era: “Dane-se a diplomacia. Vamos para a guerra”.

As ações de Bush após os atentados levaram à guerra no Afeganistão, no Iraque e, de maneira mais ampla, à chamada “guerra ao terror”.

O conflito no Afeganistão acabaria sendo o mais longo do qual os EUA já participaram. Ele chegou ao fim no último dia 31 de agosto, com a retirada definitiva das tropas americanas do país em meio a controvérsias.

Após 20 anos de insurgência, o Talebã retomou o poder em apenas 10 dias, dando início a uma crise humanitária.

Agora resta ver se a nova administração cumprirá seu compromisso de não permitir que o Afeganistão volte a ser um bastião da Al-Qaeda.

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andrade@sintrafesc.org.br

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