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Governo Bolsonaro faz servidores perderem quase 30% do poder de compra

Após idas e vindas e depois de chegar a anunciar um percentual de 5% linear para a categoria, uma das últimas declarações do presidente foi a de que, “lamentavelmente”, não seria possível nenhum reajuste para o funcionalismo esse ano

 

A subseção do Dieese na Condsef/Fenadsef atualizou levantamento que mostra que servidores federais já perderam quase 30% do seu poder de compra em apenas três anos e meio de governo Bolsonaro. Sem qualquer reposição salarial há mais de cinco anos, a categoria sofre cada vez mais com os impactos da alta da inflação. Após idas e vindas e depois de chegar a anunciar um percentual de 5% linear para a categoria, uma das últimas declarações do presidente é a de que, lamentavelmente”, não seria possível nenhum reajuste para o funcionalismo esse ano

Bolsonaro também chegou a declarar que não adiantava colocarem “a faca” em seu pescoço, fazendo alusão aos movimentos de mobilização e paralisação legítimos de servidores. A maioria reivindica 19,99% de reposição emergencial. O percentual, apresentado ainda em janeiro ao governo Bolsonaro, já está abaixo dos 26,26% de inflação acumulada pelo IPCA e 27,93 considerando o INPC. 

Assim, aponta o Dieese, os salários dos servidores federais mantêm apenas 78,17% do poder aquisitivo de 1º de janeiro de 2019, segundo o INPC. A Condsef/Fenadsef reforça que os recursos existem para que o governo atenda a reivindicação de reposição salarial emergencial do funcionalismo. 

Só no ano passado, a arrecadação federal cresceu 17,3%. Além disso, as contas públicas tiveram um superávit de quase R$ 65 bilhões. Em contrapartida, despesas de pessoal tiveram uma redução de cerca de R$19 bi sob o discurso de ‘contingenciamento’ pregado pelo governo. Sinônimo de desmonte. 

A “granada” é o governo Bolsonaro

Ao invés de negociar e promover um diálogo com a categoria, o Ministério da Economia nunca estabeleceu um canal transparente para o debate com representantes dos servidores. De declaração polêmica em declaração polêmica, o ministro Paulo Guedes vem demonstrando que a “granada no bolso do inimigo”, quando se referiu de forma polêmica a servidores públicos, tem sido adotada na prática por esse governo.

Com Bolsonaro o Estado atingiu a menor marca da história em gasto com pessoal. Guedes declarou que pretende reduzir ainda mais e se gaba de fazer uma reforma Administrativa ‘invisível’. Não por acaso, arrocho salarial, menos concursos e sucateamento do serviço público são marcas desse governo. Mas a Condsef/Fenadsef alerta: a “granada” para o servidor é o próprio governo Bolsonaro. 

Para o secretário-geral da Confederação a saída para frear os ataques sucessivos ao setor público é dar uma resposta a esse governo nas urnas em outubro. A configuração do Congresso Nacional, observa Sérgio Ronaldo da Silva, é fundamental. “Precisamos garantir que mais parlamentares que defendem a visão de Estado assegurada em nossa Constituição sejam eleitos”, pontuou. 

Sérgio lembra que o próprio presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, já declarou mais de uma vez que pode colocar em votação a reforma Administrativa ainda este ano. “O plano desse governo e de seus aliados é claro: acabar com os serviços públicos para que apenas poucos lucrem com o direito de milhões de brasileiros”, destacou. “Seguimos lutando para que esse futuro desastroso para a população não se concretize como quer esse governo”, reforçou.

Vem aí mais uma Jornada de Luta

A resposta para a incapacidade do governo Bolsonaro em manter suas próprias propostas para o funcionalismo deve vir na luta, na rua e na urna. Entre os dias 4 e 7 de julho servidores de todo o Brasil virão a Brasília para mais uma Jornada de Luta. “Eles tentam burlar as restrições de orçamento em uma série de situações. A gente sabe qual é a finalidade eleitoreira disso. A lição é dura, mas que o conjunto do funcionalismo aprenda. Sem luta não há conquista”, resume Sérgio.

Confira um resumo das atividades

04 a 07/07 
Jornada de luta em Brasília nos moldes da PEC 32: pela recomposição dos orçamentos, pela reposição salarial, pela negociação coletiva e contra as privatizações

04 e 05/07 
Recepção dos deputados e senadores nos aeroportos em Brasília e nos estados

05/07 
Dia nacional de mobilização em Brasília ao lado do anexo II da câmara dos deputados – Contra as privatizações e pela recomposição dos orçamentos para os salários e benefícios dos servidores(as)

06/07 
Reunião das entidades sindicais nacionais com os parlamentares sobre os orçamentos (PLDO e PLOA), com vigília pela manhã e a tarde ao lado do anexo II da câmara e visita aos gabinetes dos parlamentares

07/07 
Vigília em frente ao MEC


 

Fonte: Condsef/Fenadsef

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andrade@sintrafesc.org.br

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