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Guedes quer condicionar aumento do auxílio à venda de estatais

Paulo Guedes propôs vincular auxílio de R$ 600 a contrapartidas. Valor foi reduzido pelo governo federal e deve ficar entre R$ 150 e R$ 350

 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira (25) que admite a possibilidade de aumentar o valor do auxílio emergencial para R$ 600, como aprovado em 2020 pelo Congresso. O valor foi reduzido pelo governo federal na nova remessa a ser paga a partir de abril para cotas que vão de R$ 150 a R$ 350.

Guedes, no entanto, quer vincular o aumento do benefício a contrapartidas. Entre elas, ele citou a venda de estatais “que dão prejuízo”. Não é de hoje que o ministro tenta emplacar a agenda privatista e parece ter visto no aumento do benefício uma forma de viabilizá-la.

“O Estado está financeiramente quebrado, mas cheio de ativos. Vimos que é possível aumentar o valor, mas tem que ser em bases sustentáveis. Se aumentar o valor sem por outro lado ter as fontes de recursos corretas, traz a superinflação ou a inflação de dois dígitos como era antigamente. O resultado final é desemprego em massa e o imposto mais cruel sobre os mais pobres que é a inflação”, disse Guedes em resposta aos parlamentares, durante audiência virtual no Congresso.

A fala de Guedes veio como resposta aos senadores, que também lembraram da carta enviada ao Congresso um dia antes pelos governadores, pedindo a retomada dos R$ 600 no auxílio emergencial.

Para o líder do PCdoB, deputado Renildo Calheiros (PE), “Guedes quer ver se vai enrolando todo mundo e não gasta o dinheiro” e lembrou que foram os R$ 600 definidos pelo Congresso que deixaram o Brasil numa situação pior do que a que está.

“Quando o debate do auxílio emergencial chegou ao Congresso, o governo só aceitava pagar R$ 200. Foi o Congresso que aumentou para R$ 600. Todos os economistas dizem que aquilo é que salvou o Brasil. Não fossem esses R$ 600 que esses milhões de brasileiros receberam durante aquele período, não se teria movimentado as feiras, os mercadinhos, os supermercados, as padarias, as farmácias, a economia”, destacou.

O auxílio pago em 2020 beneficiou quase 70 milhões de pessoas e impediu que o impacto da pandemia do novo coronavírus fosse ainda maior. Agora, diante do agravamento da crise sanitária no país, governadores pedem o aumento do benefício, pois veem que o valor aprovado pelo governo federal não ajudará os brasileiros que necessitam.

R$ 600 até o fim e investimento nas empresas

Após aprovação da chamada PEC Emergencial, que destinou recursos para o novo auxílio estipulado pelo governo federal, o PCdoB entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar garantir os R$ 600.

Além disso, a legenda apresentou um Projeto de Lei (PL 463/21) para garantir os R$ 600 até o fim da pandemia.

“O PCdoB entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para tentar garantir o auxílio de R$ 600 e também apresentou um projeto para que o auxílio seja aprovado até que a pandemia chegue a números aceitáveis, quando tivermos boa parte da população imunizada”, disse.

Para ele, no entanto, o governo precisa fazer muito mais do garantir um auxílio minimamente digno e a vacina. “Precisa injetar recurso nas empresas que estão atravessando a crise, para que elas não quebrem. É o que o mundo inteiro tem feito”, disse.


  • Capa: Edu Andrade, Ascom/ME

Fonte: Christiane Peres, Vermelho

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andrade@sintrafesc.org.br

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