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Nos ‘1000 dias’ de ataques à democracia, Brasil se une contra desgoverno Bolsonaro

Diversos partidos convocam a população a ocupar as ruas dia 2 de outubro para colocar um fim a este desgoverno genocida que destrói o país, desemprega milhões, já matou quase 600 mil pessoas por Covid e só pensa em implantar uma ditadura

 

Ao comentar, neste domingo (26), em entrevista ao Estadão, as manifestações de rua que estão sendo preparadas por diversos partidos contra os Bolsonaro e seu desgoverno, o coordenador do Movimento Direitos Já, o sociólogo Fernando Guimarães, afirmou que é preciso deixar de lado as diferenças e se unir em torno de um objetivo comum. “Quem tiver compromisso com a democracia vai colocá-la acima de tudo”, disse Guimarães, que tem se esforçado para juntar no mesmo palco representantes de correntes divergentes e até rivais políticos.

FERNANDO: TODOS ÀS RUAS NO 2 DE OUTUBRO

Fernando Guimarães, coordenador do movimento Direitos Já (Foto: reprodução)

“Este é um momento em que precisamos estar preocupados em mobilizar a sociedade, e somar na rua todos aqueles que tenham a clareza da sua responsabilidade histórica, para deixar de lado as questões eleitorais e os projetos políticos”, disse ele. As lideranças argumentam que o ambiente para a formação de uma ampla frente se construiu a partir das manifestações do último 7 de Setembro. Bolsonaro ameaçou descumprir ordens judiciais do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) – o que configura crime de responsabilidade –, e seus apoiadores pediram a volta da ditadura e o fechamento do STF.

A frente vem ampliando depois das ameaças mais explícitas feitas por Bolsonaro à democracia, nos atos do 7 de Setembro, mas nesses mil dias de governo, que o governo comemora com a inauguração de 10 km de asfalto, são mil dias de desgraça para o povo brasileiro que amarga uma crise econômica, política e social sem precedentes. Mais de 30 milhões de pessoas desempregadas ou subempregadas, fruto do desgoverno Bolsonaro, a inflação e a carestia está levando a fome aos lares do país, quase 600 mil pessoas morreram por Covid diante da sabotagem levada à cabo pelo Planalto.

O verde e amarelo é do povo brasileiro, não do fascismo

O Brasil inteiro já percebe que Bolsonaro não governa o país e só destila o ódio, a divisão e a doença. Que ele não combate a pandemia, que, com seus desatinos quase diários, é um fator de agravamento da inflação e da carestia. A maioria dos brasileiros já percebe, e as pesquisas têm mostrado isso, que, com a continuidade deste desgoverno, o país está sendo destruído. Não há absolutamente nada a se comemorar nesses mil dias de desgraça da população. Só quem está comemorando alguma coisa é o vírus que se espalha rapidamente, fruto de todo o apoio que vem recebendo de Bolsonaro e seus lunáticos seguidores.

PSDB, PDT, Cidadania e PV estarão se somando aos demais partidos no ato do dia 2 pelo impeachment de Bolsonaro com os partidos de esquerda na Avenida Paulista. O senador José Aníbal, integrante da executiva nacional do PSDB, está seguro da necessidade de afastar Bolsonaro. Na última sexta-feira se reuniram em São Paulo com a coalizão que organiza a manifestação do dia 2 na Paulista o PSDB, PT, Cidadania, PCdoB, PSOL, PDT, PSB, Rede e PV.

ANÍBAL: É DIFÍCIL IMAGINAR MAIS 16 MESES COM BOLSONARO

Senador José Aníbal (PSDB-SP) Foto: Jefferson Rudy/ AGÊNCIA SENADO

“É difícil imaginar mais 16 meses com Bolsonaro, com esse padrão de desgoverno que ele tem. É preciso que seja feito um acordo nacional. Sou a favor do ‘Fora Bolsonaro’, mas a questão não pode se resumir ao impeachment. Eu falo em impeachment como sinalização”, disse o senador. “O País está à deriva. O ‘fora Bolsonaro’ cria muita convergência, mas cada um interpreta de um jeito. Essa conjuntura é muito dinâmica. Essas gavetas de esquerda, direita, centro-esquerda e centro-direita estão travando o debate. É um jogo de palavras. Fui em todas as manifestações contra Bolsonaro. Seria preferível que as manifestações se unissem”, defendeu Aníbal.

 

 

 

JOSÉ GUIMARÃES: É PRECISO POVO NA RUA

O deputado José Guimarães, integrante da executiva nacional do PT, afirmou que “o ato do dia 2 é um momento que percebo que pode selar a unidade”. “É preciso ter muita generosidade das forças políticas para agregarem outros atores, para dar musculatura à luta pelo impeachment. Por último, é preciso povo na rua. É o que falta. A pressão sobre o Congresso Nacional é um elemento central nessa campanha. Sem isso, não tem impeachment. Nossa prioridade é unir as forças de oposição em defesa da democracia e pelo impeachment já. Essa é a centralidade”, destacou.

Luciana Santos, presidenta do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco. Foto: Câmara dos Deputados

Para a vice-governadora de Pernambuco e presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos, “é preciso deixar essa disputa de 2022 para o momento certo”. “Na prática, muitas forças acabam colocando essa agenda da eleição na frente. Por mais que não seja algo deliberado, na base social e política há muita incompreensão de como conviver com os contrários, com quem já foi Bolsonaro e agora é a favor do impeachment”, argumentou.

LUCIANA: COM PACIÊNCIA VAMOS CONSTRUINDO A FRENTE

O deputado Junior Bozzella, vice-presidente do PSL, disse que vai em todas as manifestações. “Fui nas manifestações da esquerda e estive também na manifestação (contra Bolsonaro) da direita. Acho que nós, que defendemos a democracia, temos o dever de fazer um gesto nesse sentido: baixar as bandeiras agora e buscar unidade”, argumentou.

Ato contra Bolsonaro será na Paulista em 2 de outubro

“A construção dessa frente ampla não pode ser conduzida por partido A ou B, e sim por uma entidade isenta. No PSL não temos uma deliberação sobre apoiar ou não o impeachment. Eu sou signatário do impeachment e tenho liberdade para me posicionar. Esse tema do fechamento de questão nunca foi debatido dentro da nossa Executiva Nacional”, acrescentou.

MOLON: TODOS ESTARÃO ORGANIZANDO OS ATOS

O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição (foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

O líder da oposição, deputado Alessandro Molon, integrante da executiva nacional do PSB, disse que “é importante que o ato pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro não tenha um dono”. “Considero que a participação dos demais partidos é muito importante e estão havendo tratativas para a adesão, e não tenho a menor dúvida de que ela virá. Espero que a gente consiga já para o dia 2 de outubro mas, se por acaso isso não se viabilizar, tenho plena convicção que até 15 de novembro a gente consegue isso. Não são partidos políticos que estão sendo convidados por serem convidados. Estão sendo convocados para serem também autores da convocação – portanto, coorganizadores”, disse Molon.

MEDEIROS: PRIORIDADE É O FORA BOLSONARO

Juliano Medeiros, presidente do PSOL. Foto: Reprodução – Twitter

Juliano Medeiros, presidente do PSOL também defendeu a unidade. “A oposição está unida em defesa do impeachment. Os protestos de rua caminham para uma unificação. Falar em ‘oposição fragmentada’ não faz mais sentido. Nossa prioridade é o fortalecimento da campanha pelo #ForaBolsonaro”, afirmou Medeiros. “O impeachment depende de um deslocamento de partidos e deputados que hoje dão sustentação ao governo Bolsonaro, que só pode ocorrer a partir da pressão popular nas ruas, num amplo movimento de rejeição ao governo Bolsonaro”, assinalou o presidente do Psol.

Gilberto Kassab, presidente do PSD

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que já admitiu e necessidade do impeachment, logo após as ameaças à democracia por Bolsonaro no dia 7 de Setembro afirmou que “a partir da inobservância da Constituição, pode ser levada adiante a proposição de afastamento do presidente da República ou outras sanções”. “O PSD acompanha e propõe soluções para as reais necessidades do País, como superação da crise econômica e da pandemia de Covid. Participa do debate democrático e cobra que a Constituição Federal seja respeitada por todos os agentes públicos”, disse Kassab.

NETO: TIRAR DA FRENTE AS COISAS MENORES

Antonio Neto, integrante da executiva nacional do PDT, afirmou que “a história do mundo mostra que nos momentos-chave, decisivos, você tem de tirar da discussão aquelas coisas que são menores”. “Falta desprendimento, em primeiro lugar, de não levar em consideração o inimigo principal. O que falta é terem essa visão do compromisso com o momento, que é muito grave. A prioridade é efetivamente garantir a democracia para que possamos ter eleições livres, soberanas e, acima de tudo, garantir a posse de quem seja eleito. Não podemos debater agora a eleição”, argumentou Neto.

Jefferson Coriteac, vice-presidente do Solidariedade, destacou que “o dia 7 de Setembro, com a ameaça à democracia e à nossa Constituição, foi o estopim para começar essa união”. “Acho que agora começa essa organização. O Solidariedade, junto com partidos de oposição, já fizeram um documento para o ‘Fora Bolsonaro’”, explicou.

“No fórum do Direitos Já!, há partidos que não são declaradamente de oposição ao governo, mas que estão unidos na defesa da democracia. Dentro em breve, acho que deve haver uma ação muito maior. Nossa prioridade é lutar pela defesa dos direitos dos trabalhadores, dos mais necessitados, não deixar que a democracia e a Constituição sejam afetadas. Estamos lutando para que as pessoas possam se alimentar e viver, porque hoje temos preços altíssimos e pessoas sem condições de se manter”, afirmou Coriteac.

Brasil unido contra o fascismo

Governador de São Paulo na Paulista

GOVERNADOR DE SÃO PAULO FOI A ATO CONTRA BOLSONARO

No último dia 12 de setembro o governador João Doria participou de um ato Fora Bolsonaro na Avenida Paulista. No palanque se reuniu uma frente ampla com a presença de Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Orlando Silva (PCdoB), Alessandro Vieira (Cidadania) Isa Pena (Psol) e muitos outros.

Para Soninha Francine, integrante da executiva nacional do Cidadania, “unir a oposição fica mais fácil quando você já tem um ponto de partida, um bloco para demonstrar isso. Para demonstrar que é possível. Se estivesse todo mundo sozinho tentando chamar para si, ficaria mais difícil, lógico”. “Mas é muito bom que a gente já pode demonstrar. É por aí. Não precisa começar do zero, já temos uma construção. Nosso partido tem 90% de alinhamento com o tema. Pelo País, às vezes, e até na Câmara, há integrantes que destoam. Mas eles que destoam: é um posicionamento que é deles. O partido é historicamente a favor de alianças, Partido Comunista, depois o PPS herdando isso. Temos posição”, afirmou.

HELOÍSA HELENA: QUEM ESTÁ SANGRANDO É O POVO BRASILEIRO

Na opinião de Heloísa Helena, porta-voz nacional da Rede Sustentabilidade, “falta pensar menos no calendário eleitoral e mais nos escombros de lágrimas, lutos e sofrimentos pelos quais passa o Brasil”. “Muitas pessoas acham que devem deixar o Bolsonaro sangrar para, de alguma forma, facilitar a disputa eleitoral. Na verdade, ele não está sangrando. Quem está sangrando pelo desemprego, pelo desespero, por luto e lágrimas, é a grande maioria do povo”, argumentou.

“É só isso: não ficar refém do oportunismo eleitoral. Estamos articulando com todas as forças sociais para que, conjuntamente, possamos viabilizar a abertura de processo por crime de responsabilidade. Ao mesmo tempo, nós estamos atualizando os 18 eixos estratégicos para um Brasil sustentável, porque a democracia sem justiça social não existe”, acrescentou Heloísa Helena.

“Estamos atualizando nosso projeto para o País, fazendo todos os debates necessários para, até dezembro, ter um projeto para o Brasil na mão. A vida que possibilita mudanças estruturais profundas não está presente apenas nas cúpulas partidárias, é muito importante temos compreensão para não achar que os partidos são os ungidos com as únicas possibilidades de fazer transformação social”, afirmou a representante da Rede.

José Luiz Penna, presidente do PV, disse que “tudo isso (a divergência entre partidos) fica pequeno diante da possibilidade de nem termos eleição”. “Talvez o que se jogue fora é a última oportunidade do Brasil. Estamos falando sem parar. Agora, os processos eleitorais do Brasil são muito excludentes. Mas estamos enfrentando”, afirmou Penna.

Siglas como o PSD e MDB já veem ensaiando uma mudança de posição nos dias seguintes aos atos do Dia da Independência. Com a manobra disfarçada de recuo, por parte de Bolsonaro, os dirigentes partidários desses partidos estão em compasso de espera. Uma grande mobilização popular nas ruas das principais cidades brasileiras em oposição a Bolsonaro é citada por todos como uma condição essencial para a mobilização conjunta, sem a qual o cenário não deve mudar.


 

Fonte: Hora do Povo

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