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“Pode haver greve sem reajuste para o servidor, mas não tem reajuste sem Greve”

Nos últimos 50 anos o histórico de conquistas dos servidores demonstra que sem luta não há vitória

 

 

Além da precarização e do sucateamento estruturado para acabar com os serviços públicos no Brasil, a maioria dos servidores estão desde 2017 se reposição salarial. Algo que já seria chocante e impensável para qualquer trabalhador. Mas ao analisarmos os preços dos produtos básicos de consumo que elevam os números da inflação, vemos o quanto poder de compra os servidores perderam durante esse tempo.

De acordo com o Dieese o valor da cesta básica era de R$ 418,61 na capital catarinense na data do último reajuste dos servidores, hoje está em torno de R$ 695,59. A média do quilo da carne vermelha era de R$ 24,00, contra R$ 43,00 em 2022, tendo registrado o menor consumo desde 1996; já a gasolina, que era R$ 3,53 alcança hoje a casa dos R$ 7,50. Se levarmos em conta o aumento do gás de cozinha e demais produtos alimentícios básicos do dia a dia, essa conta se torna ainda mais desesperadora.

No último dia 23 de março a Condsef e o Fonasefe lançaram o Dia Nacional de Greve em defesa da recomposição salaria de 19,99%. O Ministério da Economia que há 3 anos sequer recebeu os representantes da maioria dos servidores do Executivo Federal, às vésperas da data marcada para o início da greve, enfim recebeu as entidades. Sem qualquer avanço nas negociações e após 2 meses de silêncio diante das reinvindicações dos servidores, o governo “prometeu” uma resposta até o dia 1º de abril; lembrando que se até o dia 4 de abril não houver a reposição, ela só poderá ser feita em 2024, já que a legislação proíbe reajustes de salários em ano de transição de mandatos governamentais.

Ainda no dia 22, o coordenador geral do Sinasefe, David Lobão, representeou os servidores em uma live no canal Meteoro, um dos mais influentes canais de esquerda do Youtube. Lobão falou da importância de construir uma greve sólida e bem estruturada. Segundo o coordenador geral do Sinasefe as ofensivas palavras do Ministro do Economia, Paulo Guedes, na fatídica reunião ministerial não devem jamais serem esquecidas pelos servidores: “Damares, deixa eles se fud*, nos já enrolamos eles, fizemos de conta que éramos amigos, abraçamos eles e colocamos uma granada no bolso deles…2 anos sem aumento! Já estamos em 5 anos, completa Lobão.

David Lobão insiste na importância de os servidores abraçarem a greve, não deixando sob responsabilidade apenas dos dirigentes sindicais e militantes. Ele afirma saber das dificuldades de engajar todas as categorias, que possuem suas particularidades, e disse saber que as paralisações não aconteceriam de imediato e todos ao mesmo tempo, iniciando-se já no dia 23, mas que por meio dos debates promovidos pelos sindicatos podemos alcançar um número expressivo de servidores aderindo e fortalecendo a greve.

David Lobão, que também é professor de matemática do Instituto Federal da Paraíba, cita um estudo realizado por ele mesmo em que conclui: “Nós últimos 50 anos, nenhum reajuste, reposição ou aumento foi concedido aos servidores que não tenha sido por meio de GREVE!

A greve é a última alternativa de qualquer trabalhador para garantir seus direitos, pois algumas consequências são certas, enquanto os resultados nem sempre. Álvaro Borba, que integra junto com Ana Lesnovski o canal Meteoro sintetiza a maior lição aprendida no bate papo com o sindicalista e servidor David Lobão: “Pode haver greve sem reajuste para o servidor, mas não tem reajuste sem Greve”.

 

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andrade@sintrafesc.org.br

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