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Servidores da Funai protestam pelo desaparecimento de Bruno e Dom

 

Categoria cobra respostas, segurança e envio imediato de força-tarefa para a área do desaparecimento

 

Bolsonaro sempre deixou bem claro suas intenções em relação às pautas ambientalistas. Desde sua campanha o desprezo pelos povos originários, quilombolas, ribeirinhos e indígenas, foram repetidamente alvos das falas indignas do presidente. Ao tomar posse, a linha político-ideológica e as prioridades subversivas do presidente exaltam os exploradores e incita a ilegalidade contra os povos responsáveis pela preservação ambiental.

A “boiada” mencionada na fatídica reunião ministerial pelo então ex-ministro do Meio-Ambiente, Ricardo Salles, parece ter estourado. O drama mundial com o sumiço do jornalista britânico, Dom Phillips, e do servidor da FUNAI, Bruno Pereira, reforçam a ideia.

A “granada no bolso dos servidores” causa danos diários desde que Bolsonaro subiu a rampa do planalto. A antipolítica ambiental foi fortalecida e da legitimidade para as chefias nomeadas desvirtuarem todas as funções e obrigações pelas quais os servidores sempre dedicaram a vida. O indigenista desaparecido estava afastado de suas funções por perseguição da cúpula do órgão após o sucesso em ações contra o garimpo ilegal, sem qualquer motivo técnico, reafirmando a motivação política.

Qualquer um que tenta exercer a função e defender o obvio torna-se um alvo. Investigações acreditam que o desaparecimento da dupla possa estar ligado à uma rede criminosa de caça e pesca ilegal, possivelmente ligada ao tráfico de drogas que cresce verticalmente na região. Vale lembrar que pouco tempo após a posse de Jair Bolsonaro, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) exonerou José Augusto Morelli do cargo de Chefe do Centro de Operações Aéreas da Diretoria de Proteção Ambiental. O servidor havia autuado Bolsonaro em 2012, no valor de R$ 10 mil por pesca ilegal.

A falta de “interesse” mostrando o descaso do governo pelo acontecido, que rapidamente ganhou repercussão internacional, foi a gota d’agua para as manifestações dos servidores do órgão de proteção indígena. Os servidores que travam uma batalha hercúlea contra o governo desde o início deste mandato, teve que combatê-lo diariamente para barrar a PEC 32, que buscava acelerar a destruição dos serviços públicos. Com a vitória parcial dos servidores contra a Reforma Administrativa, a luta neste ano foi direcionada para a campanha salarial da categoria, que tentava negociar 19,99% de reajuste salarial, o equivalente às perdas referente aos 3 anos de governo Bolsonaro.

Foi nesse contexto, em meio à destruição diária dos serviços públicos e a total desvalorização dos servidores, que os servidores da FUNAI protestaram pelo desaparecimento de Bruno e Dom. A luta não só pelo reajuste, que está implícito no sucateamento dos serviços, mas pela VIDA, por segurança, pelo direito de exercer as funções de forma digna.

Na capital

                

                                                                                                                                                          Seguindo as manifestações por todo país, os servidores da FUNAI amparados pelo SINTRAFESC paralisaram as atividades e depois de se reunirem  no órgão rumaram para o centro da cidade para manifestarem-se.  O ato na capital catarinense reuniu servidores, sindicalistas e alguns parlamentares que dialogaram com a população sobre o trágico ocorrido. A população igualmente chocada e revoltada prestou incondicional  solidariedade aos manifestantes. Muitas falas emocionadas foram expressas pelos companheiros de profissão e alguns amigos de Bruno. De acordo com os colegas o servidor desaparecido era um exemplo por amar a sua profissão, os indígenas e ter a floresta como representação divina. Bruno é considerado o maior especialista em comunidades isolados do Brasil.

Um ato de solidariedade também ocorreu por meio dos servidores municipais, que liderados pelo SINTRASEM, se manifestavam em campanha salarial e melhores condições de trabalho. Ao se encontrarem durante a caminhada dos municipais um afinado coro de “FORA BOLSONARO” foi aclamado também pela população.

As principais reivindicação dos servidores da FUNAI são a retração por parte do Presidente da FUNAI, Marcelo Augusto Xavier da Silva, que em declarações públicas difamou, criminalizou e culpou a dupla pelo próprio desaparecimento.  O envio de uma força-tarefa para proteger a integridade física dos indígenas e servidores é solicitado para que garantam o exercício das funções. Os indigenistas relatam não tem a mínima condição de segurança na área. “Não temos sequer coletes a prova de bala”, ressalta um servidor.

Está claro que o descaso do governo é uma política bem estruturada com interesses controversos. A demora na iniciação das buscas por parte do Exército, que justificou “estar esperando ordens superiores”, contrasta com publicação da força que, orgulhosa, relatou em 18 de fevereiro deste ano “mobilizado aeronaves” para apoiar nas buscas por três caçadores que desapareceram no município de Urucará (à 261 quilômetros de Manaus).

São nefastas prioridades do Governo e seus indicados para os cargos de comando dos órgão.

“As pessoas que estão dentro da Funai nunca trabalharam com indígenas na vida, as pessoas não entendem o que é uma discussão indigenista. Eu sinto que há um ranço, rancor, são medidas vingativas. Isso está minando o trabalho indigenista.”

Bruno Pereira

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andrade@sintrafesc.org.br

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