O cancelamento da sessão conjunta do Congresso Nacional prevista para esta quinta-feira, 9 de julho, reforça o alerta sobre o travamento político de pautas legislativas importantes às vésperas do recesso parlamentar. A sessão foi suspensa por falta de acordo entre lideranças, enquanto pautas essenciais para a classe trabalhadora seguem sem definição no calendário de votações. É o caso do PL 1893/2026, que regulamenta a negociação coletiva no serviço público, e da PEC 221/2019, que trata do fim da escala 6x1. Embora as duas propostas tenham tramitações próprias, o ambiente de esvaziamento das votações reduz a pressão por avanços imediatos e aumenta o risco de adiamento de pautas de interesse da classe trabalhadora para depois das eleições.
O PL 1893/2026, que regulamenta a negociação coletiva no serviço público, já tramita em regime de urgência na Câmara e teve parecer preliminar apresentado pelo relator André Figueiredo (PDT-CE), o que permite sua votação pelo Plenário. Por isso, o problema agora não é falta de rito ou de relevância. É falta de decisão política para colocar a negociação coletiva dos servidores em votação.
A pauta da escala 6x1 também segue travada. A PEC 221/2019 foi aprovada pela Câmara e chegou ao Senado, mas o presidente da casa, Davi Alcolumbre, já afirmou que o texto não irá diretamente ao Plenário e terá de passar pelas comissões, o que amplia o tempo de tramitação.
A proximidade do recesso torna a situação urgente. O recesso parlamentar de julho ocorre de 18 a 31 de julho, período em que há suspensão das atividades do Congresso Nacional, salvo convocação extraordinária. Com a janela de votação cada vez menor, o risco é que temas sensíveis para servidores e trabalhadores sejam deixados para depois, reduzindo a pressão pública sobre deputados e senadores em um momento decisivo.
O Sintrafesc reforça que a vigilância da categoria e das entidades representativas deve continuar até que o PL 1893/2026 seja efetivamente votado, preservando o acordo construído e impedindo alterações que fragilizem a organização sindical. O cancelamento da sessão revela o tamanho da pressão necessária. Cabe à categoria e às entidades acompanhar a tramitação, cobrar deputados e senadores e manter a mobilização para que a negociação coletiva no serviço público não seja tratada como promessa, mas como direito urgente de quem sustenta as políticas públicas todos os dias.
