O Sintrafesc completa 38 anos nesta quinta-feira, 5 de novembro, em um momento em que a defesa dos direitos dos trabalhadores, dos serviços públicos e da democracia permanece no centro das disputas sobre os rumos do Brasil. Sua trajetória atravessa governos, crises e reformas, acompanhando conquistas da categoria e tentativas de restringir direitos e reduzir o papel do Estado.

Ao longo dessas décadas, a organização sindical contribuiu para transformar reivindicações em conquistas e resistir aos retrocessos. Sua importância permanece atual na preservação dos direitos alcançados, no fortalecimento das negociações e na busca por novas conquistas para a categoria.

Fundado oficialmente em 5 de novembro de 1988, após a promulgação da Constituição Federal, o Sintrafesc surgiu da organização dos servidores federais catarinenses durante a redemocratização. Sua história começa em 1984, quando associações de diferentes órgãos criaram a Federação dos Servidores Públicos Federais de Santa Catarina, abrindo caminho para a formação do sindicato.

Na assembleia de fundação, 46 trabalhadores de sete órgãos federais deram início a uma organização que, apenas quinze dias depois, já liderava uma greve que durou 50 dias.

Nas décadas seguintes, greves, assembleias, congressos e campanhas salariais consolidaram sua representação em Santa Catarina. O sindicato participou das lutas pelo Regime Jurídico Único, pela estruturação das carreiras, pelos concursos públicos e pelos direitos de anistiados, aposentados e pensionistas. A expansão para o Oeste e o Planalto Serrano e a criação do Sindicato Itinerante fortaleceram essa presença. A assessoria jurídica também se tornou um importante instrumento de defesa dos direitos funcionais, remuneratórios e previdenciários.

Dos direitos conquistados às ameaças de desmonte do Estado

Os últimos anos impuseram desafios especialmente duros aos servidores públicos. A política de austeridade aprofundada a partir de 2016, com o teto de gastos, foi acompanhada pelas reformas Trabalhista, de 2017, e da Previdência, de 2019, alterando direitos e impondo restrições à proteção social.

Entre 2017 e 2022, os servidores federais enfrentaram um prolongado período sem reajuste salarial geral. A perda do poder de compra, as restrições aos concursos e a redução dos investimentos públicos ampliaram as dificuldades dos trabalhadores e da população que depende desses serviços.

A pandemia da Covid-19 evidenciou a importância das estruturas públicas. Profissionais da saúde, da pesquisa, da assistência e de outros setores mantiveram atividades essenciais durante a emergência sanitária, enquanto a crise expunha as consequências da insuficiência de pessoal e das limitações orçamentárias.

Nesse período, a PEC 32/2020, apresentada pelo governo Bolsonaro, propôs mudanças profundas nas relações de trabalho e na administração pública. A resistência sindical, com manifestações em Brasília, pressão sobre parlamentares e mobilizações nos estados, contribuiu para impedir sua votação final na Câmara. O Sintrafesc integrou essa luta em articulação com a Condsef/Fenadsef, a CUT e outras entidades.

A defesa da democracia também faz parte dessa história

As instituições democráticas são fundamentais para o exercício dos direitos e da liberdade sindical. Diante dos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília, o Sintrafesc repudiou a violência e defendeu a responsabilização dos envolvidos, reafirmando seu compromisso histórico com a Constituição e o Estado Democrático de Direito.

Essa atuação continuou nas mobilizações contra propostas de anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos, na defesa da soberania nacional e nas iniciativas conjuntas com movimentos sociais e entidades sindicais catarinenses.

Unidade para enfrentar novos ataques e ampliar conquistas

A retomada das mesas nacionais de negociação, em 2023, abriu uma nova etapa para os servidores federais. Reajustes salariais, recomposição de benefícios e acordos de reestruturação de carreiras representaram avanços construídos pela organização sindical, embora permaneçam perdas acumuladas e desigualdades entre os diferentes segmentos.

Esses resultados demonstram a importância dos sindicatos na construção e no acompanhamento dos acordos. O diálogo precisa ser acompanhado de participação e mobilização para garantir o cumprimento dos compromissos e novas conquistas.

Em outubro de 2025, outra proposta de reforma administrativa chegou ao Congresso. A PEC 38/2025, apresentada pelo deputado catarinense Zé Trovão e outros parlamentares, retomou discussões sobre estabilidade, carreiras, contratações temporárias e reorganização dos serviços públicos. Embora apresentada por seus defensores como uma iniciativa de modernização, entidades sindicais alertam para riscos de precarização do trabalho e enfraquecimento das instituições.

A reação mobilizou servidores das três esferas, com atos no Congresso e manifestações nos estados. A Marcha Nacional do Serviço Público, realizada em Brasília em outubro de 2025, expressou essa unidade. A mobilização foi fundamental para impedir o avanço imediato da PEC, embora a ameaça permaneça.

Em Santa Catarina, a atuação conjunta com a CUT-SC, o Fórum Catarinense em Defesa do Serviço Público, sindicatos de outras categorias e movimentos sociais fortalece a mobilização dos trabalhadores.

A atuação conjunta no estado com a CUT-SC, o Fórum Catarinense em Defesa do Serviço Público, sindicatos de outras categorias e movimentos sociais amplia essa organização. Nas mobilizações por direitos trabalhistas, proteção previdenciária, redução da jornada, igualdade, soberania nacional e políticas sociais, o Sintrafesc integra lutas que envolvem toda a classe trabalhadora.

Uma trajetória que continua sendo construída

Em 2026, o Sintrafesc mantém sua participação nas negociações nacionais e nas reivindicações dos servidores federais catarinenses. A reestruturação das carreiras, a recomposição salarial, a equiparação de benefícios, os direitos de aposentados e pensionistas e o cumprimento dos acordos seguem entre as prioridades.

A regulamentação da negociação coletiva no setor público, prevista no PL 1.893/2026 e relacionada à Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), representa outra reivindicação fundamental para fortalecer o diálogo e a participação dos servidores nas decisões sobre suas condições de trabalho.

Novos desafios também se apresentam. A expansão da inteligência artificial e da automação exige atenção para que a modernização do Estado não seja utilizada mais uma vez como justificativa para reduzir concursos, extinguir carreiras ou substituir indiscriminadamente trabalhadores. A tecnologia deve melhorar e ampliar os serviços, com responsabilidade e respeito aos direitos dos trabalhadores e da população.

Completar 38 anos significa reconhecer as gerações que construíram essa trajetória. Dos fundadores aos atuais filiados, passando pelos aposentados, pensionistas, dirigentes, delegados e trabalhadores que participaram e participam desta história, o Sintrafesc é resultado de uma construção coletiva.

A experiência dessas décadas demonstra que a organização sindical permanece indispensável para defender direitos, ampliar negociações, enfrentar as constantes ameaças e conquistar novos direitos. Com autonomia e mobilização, o Sintrafesc segue atuando pelos interesses da categoria e da sociedade.

São 38 anos de uma história construída pelos trabalhadores e trabalhadoras, que continua sendo escrita nas assembleias, nas negociações, nas ruas e em cada local de trabalho.

O Sintrafesc é uma construção coletiva, feita pela participação e pela luta de cada trabalhador e trabalhadora. Por isso, juntos somos mais fortes!