A eleição não começa nem termina na urna.
Decisões políticas chegam ao salário, à aposentadoria, às carreiras, aos concursos e às condições de trabalho no serviço público. A campanha passa, mas decisões sobre orçamento, direitos e serviços permanecem.
Eleger a Presidência é parte dessa escolha, assim como definir quem ocupará a Câmara e o Senado. É nesses espaços que propostas podem avançar, ser modificadas ou ficar paradas — inclusive aquelas que atingem diretamente o funcionalismo e os serviços prestados à população.
Anos sem reajuste deixam uma lição Entre 2017 e 2022, servidoras e servidores federais atravessaram seis anos sem reajuste salarial geral, enquanto inflação e políticas de austeridade reduziram o poder de compra e atingiram direitos.O período atravessou os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro. Além do congelamento salarial, vieram o teto de gastos, a
Reforma da Previdência de 2019 e a tentativa de aprovar a
PEC 32, que buscava alterar profundamente vínculos, estabilidade e a organização do serviço público.
A partir de 2023, a reabertura da Mesa Nacional de Negociação Permanente mudou o ambiente de negociação. Houve
reajuste linear de 9% em 2023, novos reajustes em 2025 e 2026, recomposição de benefícios e avanços em diferentes carreiras.
Mas a retomada do diálogo não encerrou a necessidade de recuperar perdas e corrigir desigualdades. A valorização ainda precisa alcançar diferentes segmentos do Executivo, incluindo aposentados e pensionistas.
A experiência recente mostra que
quem ocupa o Executivo e quem forma maioria no Congresso influencia diretamente as condições em que salários, direitos e serviços públicos serão disputados.
Nenhum governo, porém, substitui a organização da categoria.
Escolhas políticas definem o terreno; a mobilização ajuda a definir até onde a luta consegue avançar.Promessa deve virar compromisso. Condsef coloca a pauta diante dos presidenciáveis A Condsef/Fenadsef enviou aos principais candidatos à Presidência 23 perguntas objetivas sobre temas que afetam diretamente servidores, demais trabalhadores e serviços públicos.A entidade quer respostas de
"a favor" ou "contra", permitindo que a categoria compare posições concretas — e não apenas discursos genéricos de campanha.
Entre os temas estão valorização salarial, equiparação de benefícios entre os Poderes, negociação coletiva, aposentadoria, redução da jornada, fim da escala 6x1, financiamento da saúde e da educação, tributação das grandes fortunas, combate às discriminações e defesa do serviço público.
A pauta também cobra
auxílio-nutrição de R$ 1.300 para aposentados e pensionistas e pisos salariais para os níveis superior, intermediário e auxiliar da administração federal.
>> Confira a íntegra da carta enviada aos presidenciáveisTrinta anos colocam o gasto público em perspectiva
Uma série histórica do Dieese ajuda a questionar a ideia repetida há décadas de que o servidor seria um dos principais responsáveis pelos problemas das contas públicas.A nova Síntese de Indicadores Socioeconômicos reúne dados de
1995 a 2025 sobre emprego, salários, desigualdade, inflação, crescimento econômico e contas públicas.
Para o funcionalismo, uma comparação é especialmente relevante: enquanto as despesas com pessoal da União permaneceram relativamente controladas em relação ao PIB, juros e custos associados à dívida movimentam volumes expressivos do orçamento público.
Isso muda a pergunta.
Em vez de simplesmente repetir que é preciso "cortar gastos", é necessário perguntar
quais despesas serão reduzidas, quais permanecem protegidas e quem paga a conta.
Para quem trabalha no serviço público, políticas de austeridade podem se traduzir em falta de concursos, sobrecarga, salários comprimidos e menor capacidade de prestação de serviços à população.
Servidor não pode ser reduzido a um item de despesa, é ele quem transforma recursos públicos em políticas e serviços para a sociedade.>> Acesse a íntegra da publicação do Dieese "Brasil – Indicadores socioeconômicos selecionados"Isonomia chega à Presidência A pressão pela correção das distorções salariais no Executivo Federal chegou diretamente à Presidência da República após mobilização organizada pelo Sindsep-DF.Antes do terceiro ato, convocado para
9 de setembro em frente ao Palácio do Planalto, representantes dos servidores foram recebidos pela Secretaria Nacional de Diálogos Sociais e apresentaram reivindicações relacionadas à isonomia e ao Orçamento de 2027.
A cobrança ocorre porque reestruturações recentes produziram avanços para algumas carreiras, mas deixaram outras de for a — especialmente servidores administrativos dos níveis intermediário e auxiliar e diferentes segmentos do nível superior.
Representantes da Presidência receberam a pauta e indicaram articulação com os órgãos responsáveis, especialmente o MGI.
Pautas dos servidores Cultura retoma mobilização por carreira e condições de trabalho Servidoras e servidores da Cultura retomaram a mobilização nacional para cobrar a implantação efetiva da carreira e respostas para problemas que continuam atingindo os órgãos do setor.A agenda envolve estruturação da carreira, qualificação, mobilidade, atribuições e condições de trabalho. Também está em debate a compensação das horas relativas à greve de 2025, cujo termo já foi assinado e aguarda encaminhamentos administrativos do Ministério da Cultura.
A mobilização passou pela reunião do Comando Nacional e pela
Assembleia Nacional dos servidores da Cultura, realizada em 10 de setembro, além da organização de assembleias nas entidades.
Outro ponto acompanhado pela Condsef/Fenadsef é a retomada da Mesa Setorial do Ministério da Cultura, prevista para
29 de setembro, ainda sujeita a confirmação. O espaço deve tratar da estruturação da carreira e de outras demandas do setor.
>> Confira a íntegra do relatório da Assembleia Nacional dos servidores da CulturaTrabalhadores da Conab em SC aprovam proposta de ACT A assembleia on-line realizada pelo Sintrafesc aprovou por ampla maioria a proposta do Acordo Coletivo de Trabalho da Conab para 2026/2027.A proposta foi submetida à votação em bloco após a apresentação das principais alterações do acordo.
Entre os pontos estão
reajuste salarial correspondente a 100% do INPC, ajustes em cláusulas relacionadas à jornada e a direitos sociais e a criação da Mesa Nacional de Negociação Permanente.
Com a decisão da assembleia, os trabalhadores de Santa Catarina se somam ao processo nacional de deliberação sobre o ACT.
A urna não encerra a luta. A memória dos últimos anos mostra que
salários, aposentadoria, estabilidade, concursos e serviços públicos respondem a escolhas políticas concretas.
A eleição define parte do terreno. Independentemente do resultado das urnas,
conquistas continuarão dependendo de organização sindical, negociação, mobilização e cobrança permanente.