Criada em 1983, a CUT - Central Única dos Trabalhadores consolidou-se como uma das principais referências da classe trabalhadora no país, participando de mobilizações em defesa de direitos, da democracia, de melhores condições de trabalho e de políticas públicas capazes de reduzir desigualdades.

Sete anos depois, em 1990, nasceu a Condsef, ampliando a organização nacional dos trabalhadores do serviço público federal. Ao longo dessa trajetória, a entidade passou a representar cerca de 80% da força de trabalho do Executivo Federal, articulando campanhas, negociações e mobilizações por valorização profissional, direitos, melhores condições de trabalho e fortalecimento dos serviços públicos.

Sintrafesc, criado em 1988, integra essa trajetória há quase quatro décadas, articulando em Santa Catarina as lutas nacionais pela valorização dos servidores, fortalecimento dos serviços públicos e defesa dos direitos da classe trabalhadora.

Essa unidade continua necessária. Em 2026, permanecem na pauta temas como valorização das carreiras, correção das distorções salariais, regulamentação da negociação coletiva, defesa dos serviços públicos e enfrentamento à precarização do trabalho.

Celebrar os 43 anos da CUT e os 36 anos da Condsef é também reconhecer uma história construída coletivamente por sindicatos, trabalhadores e trabalhadoras de diferentes regiões e gerações.


Direitos dos trabalhadores seguem em disputa                                         

Fim da 6x1 avança no Senado

A proposta que reduz a jornada semanal e garante dois dias de descanso ganhou novo impulso no Senado após meses de mobilização das centrais sindicais e dos trabalhadores.

A PEC 221/2019 foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça e passou a integrar as prioridades anunciadas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para o próximo período de votações.

O texto reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, e assegura dois dias de repouso remunerado por semana. Na prática, a mudança cria condições para superar a escala 6x1, que mantém milhões de trabalhadores seis dias consecutivos no trabalho para apenas um de descanso.

A proposta está sob relatoria do senador Omar Aziz, que sinalizou a intenção de apresentar seu parecer ainda nesta semana. O tema também deverá estar entre as pautas do esforço concentrado do Senado previsto entre 31 de agosto e 4 de setembro.

O avanço da tramitação representa uma conquista política da mobilização construída nos últimos meses, mas ainda não encerra a disputa. A pressão dos trabalhadores seguirá decisiva para transformar a proposta em votação e a votação em direito.


Plenária da Condsef reforça prioridades

9ª Plenária Estatutária da Condsef/Fenadsef reforçou a mobilização como instrumento para enfrentar desigualdades salariais, defender carreiras e ampliar direitos no serviço público federal.

Entre as prioridades aprovadas estão a correção das distorções salariais, a equiparação de benefícios entre os Poderes, a realização de concursos públicos, o combate às terceirizações e o fortalecimento das carreiras.

A publicação da Lei nº 15.367/2026 atendeu demandas de determinados segmentos, mas manteve diferenças entre trabalhadores de vários órgãos e carreiras. As entidades cobram tratamento isonômico e defende a previsão de recursos no Orçamento de 2027 para enfrentar essas desigualdades.

Como medida emergencial, a entidade reivindica também a extensão da GTATA aos servidores que permaneceram em situação desfavorável.

A Plenária reafirmou ainda a regulamentação da Convenção 151 da OIT, com negociação coletiva no serviço público, a defesa das empresas estatais, o fortalecimento das políticas públicas e a ampliação da participação dos trabalhadores nas decisões que afetam suas carreiras e condições de trabalho.

Organização sindical e mobilização da base precisam caminhar juntas para que essas reivindicações avancem nas mesas de negociação, no Orçamento e no Congresso.


Aposentados ampliam pressão por direitos

Aposentados e pensionistas estão no centro de duas frentes importantes de mobilização, uma pela criação do auxílio-nutrição e outra pelo fim da cobrança previdenciária sobre os proventos.

A Condsef/Fenadsef voltou a defender a criação de um auxílio-nutrição para aposentados e pensionistas do Executivo Federal em reunião com o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa.

A proposta busca enfrentar uma diferença que acompanha a passagem para a aposentadoria. O servidor deixa de receber o auxílio-alimentação justamente em uma fase da vida na qual gastos com alimentação, saúde e cuidados cotidianos podem assumir peso maior no orçamento.

A entidade trabalha para ampliar o apoio à proposta junto ao governo, ao Congresso e ao movimento sindical. Uma das prioridades é buscar recursos na Lei Orçamentária de 2027, condição necessária para viabilizar o benefício.

Outra frente está no Senado, onde uma audiência pública deverá discutir a SUG 17/2021, proposta que defende o fim da contribuição previdenciária cobrada de servidores aposentados e pensionistas.

Hoje, a cobrança alcança a parcela dos proventos que supera o teto do Regime Geral de Previdência Social. A discussão no Senado ocorre paralelamente às articulações na Câmara em torno da PEC 6/2024 e da PEC 555/2006, que também tratam da redução ou extinção da contribuição dos inativos.

As propostas seguem caminhos diferentes no Congresso, mas partem de uma reivindicação comum. Depois de décadas de contribuição, aposentados e pensionistas não podem continuar sofrendo perdas permanentes de renda.

União e organização fazem a diferença

Os aniversários da CUT e da Condsef ajudam a contar uma parte importante da história dos trabalhadores brasileiros. Mas a luta pelos direitos da classe trabalhadora continua sendo escrita.

A jornada de trabalho permanece em disputa. As desigualdades salariais no serviço público precisam ser corrigidas. Aposentados e pensionistas seguem lutando por valorização, proteção e garantia de direitos.

Foi a organização coletiva que permitiu conquistas ao longo das últimas décadas. É ela que continua necessária para enfrentar os desafios do presente.

A história reforça que direitos se conquistam e se preservam com organização, unidade e luta.

Juntos somos mais fortes!