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Um abraço negro

Para a Secretaria de Gênero, Raça, Juventude e Orientação Sexual da Condsef/Fenadsef, essa Agenda Negra precisa ser inserida no cotidiano sindical, na agenda geral da classe trabalhadora. Saiba mais

 

Comemorar um aniversário; lembrar do falecimento de alguém; recordar quando algo se tornou marcante, são momentos de considerar que essas datas foram fundamentais para a pessoa, para uma coletividade, para um povo, para um lugar, para a humanidade…

Algumas datas não são meras comemorações festivas, mas oportunidades de reflexão sobre nosso estar no mundo, sobre sentido da vida, das lutas; oportunidades de recordar o passado e pensar no futuro; de dialogar entre ações específicas, pontuais, particulares, pessoais e ações gerais, coletivas, humanitárias.

O mês de Julho, do primeiro ao último dia, nos oportuniza vários momentos, datas, para “Um Abraço Negro”: recordar histórias pretas, abraçando-as como preservação de suas contribuições, como visibilidade do protagonismo negro, como importantes no enfrentamento do racismo estrutural.

Assim, podemos praticar nosso abraço negro em 1º de Julho, 03 de Julho, 05 de Julho, 18 de Julho, 25 de Julho, 31 de Julho (que podem servir de exercício para outros dias não citados aqui e que também mereçam ser abraçados, teremos prazer em sermos reavivados com indicações).

Para a Secretaria de Gênero, Raça, Juventude e Orientação Sexual da Condsef/Fenadsef, essa Agenda Negra precisa ser inserida no cotidiano sindical, na agenda geral da classe trabalhadora. Afinal, os pilares dos sistemas produtivos, ao longo dos séculos, tem sido erguidos “no lombo de corpos pretos”, invisibilizados pelas raízes do autoritarismo, que usam diferentes estratégias, narrativas, ferramentas para continuarem a exploração, a vigilância sobre “a carne mais barata do mercado” …

Vamos aqui abraçar brevemente cada uma dessas datas citadas e fazer indicações culturais como contribuição para continuarmos enegrecendo nossa reflexão sobre sermos herança de lutas anteriores a nós; como contribuição para nos “alfabetizar” sobre negros e negras que marcaram a história com suas ações, combatividade, resiliência.

1º DE JULHO: DIA INTERNACIONAL DO REGGAE

Inspirado por Winnie Mandela, em uma visita oficial feita à Jamaica, em julho de 1991, com Nelson Mandela, um anos após sua libertação de quase 30 anos de prisão. Avaliaram que o reggae jamaicano tinha contribuído muito na luta dos sul-africanos contra o opressivo regime do Apartheid, simbolizado pela figura e atuação de Bob Marley, principal difusor do gênero. 
Com seus princípios de libertação, amor, resistência negra, protagonismo dos oprimidos e justiça social, essa arma cultural de resistência ancestral foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial pela UNESCO, em 2018, por conta de seu papel sociopolítico e cultural.

3 DE JULHO: DIA MUNDIAL DA CAPOEIRA

Símbolo de luta e resistência, de esperança de liberdade e de sobrevivência, carregada de ancestralidade africana que resiste desde seu surgimento, no período colonial brasileiro. Inicialmente criminalizada, até 1930, quando foi reconhecida como um símbolo da identidade brasileira, desde 2014, a Capoeira passou a ser considerada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO. 

A Capoeira reúne identidade social, filosofia, arte marcial, cultura popular e esporte; preserva nossa cultura e mantém viva nossa história.

Saiba mais:

>> O legado da capoeira nas telas. Veja lista de filmes sobre o tema

Dia Mundial da Capoeira

5 DE JULHO: DIA NACIONAL DE COMBATE À DISCRIMINAÇÃO RACIAL

Data para estimular reflexão e combate ao racismo, nessa luta pela igualdade ainda com longo caminho a percorrer, teve origem com aprovação, pelo Congresso Nacional, em 03 de Julho de 1951, da Lei 1390 (Lei Afonso Arinos, proposta pelo jurista e político mineiro), primeira lei brasileira contra o racismo, que estabelecia como contravenção penal qualquer prática resultante de preconceito por raça ou cor.

Modificada em 1985, pela Lei 7.437 (autoria do Deputado Federal/RJ, Carlos Alberto Oliveira) que transformou as práticas de racismo em crime inafiançável, ampliando as penas para até cinco anos de prisão.

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>> Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial: conheça iniciativas da UFSM

Listas – Dia Nacional do combate a discriminação Racial

18 DE JULHO: DIA INTERNACIONAL DE NELSON MANDELA

Comemoração instituída pela ONU em novembro de 2009, a ser comemorada anualmente, em 18 de Julho, data de nascimento do líder sul-africano Nelson Mandela, ativista contra apartheid, lendário defensor mundial da dignidade, igualdade, justiça e direitos humanos.

Reconhecimento da contribuição de Mandela para democracia internacional e a promoção da cultura da paz; por sua dedicação na resolução de conflitos, na relação entre as raças, na harmonia com a natureza, na promoção e proteção dos direitos humanos, na reconciliação, na igualdade de gêneros e direitos das crianças e outros grupos vulneráveis, no desenvolvimento das comunidades pobres ou subdesenvolvidas.

O legado de Mandela mostra ao mundo o caminho a seguir para a igualdade, dignidade, solidariedade.

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Nelson Mandela empenhou a vida na luta contra a segregação racial

Ilê Aiyê – Mandela

25 DE JULHO: DIA DA MULHER NEGRA LATINOAMERICANA E CARIBENHA E DIA DE TEREZA DE BENGUELA

Definida a partir de 1992, em Santo Domingo/ República Dominicana, no 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e caribenhas, criando a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas e pressionando a ONU pelo reconhecimento de uma data como reconhecimento da luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe. A data vem se consolidando no calendário do movimento negro, no resgate das histórias de luta e resistência das mulheres negras a todas as formas de opressão ao longo de séculos.

No Brasil, a Lei 12.987/2014 criou o 15 de Julho como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, líder quilombola do século 18, rainha do Quilombo do Quariterê/ Cuiabá, abrigando pessoas negras e indígenas resistindo à escravidão por duas décadas. A data contribui para o resgate da história da mulher negra no Brasil; para reflexão das raízes do autoritarismo (escravismo, patriarcado, patrimonialismo, machismo) sobre a vida, saúde, trabalho das mulheres negras.

Uma data, duas referências, uma bandeira comum: luta por direitos, por igualdade salarial, por condições dignas de humanidade, contra todas as formas de violência; luta pelo protagonismo de uma minoria social mas maioria na quantidade.

Saiba mais:

>> O dia 25 de julho é uma data de memória e luta 

Somos o Lendo Mulheres Negras, iai, quantas autoras negras você já leu?

25 de julho foi Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha

31 DE JULHO: DIA INTERNACIONAL DA MULHER AFRICANA

Semeada na Conferência das Mulheres do Oeste Africano, em 1961; em 1962, em nova Conferência, em Dar es Salaam, Tanzânia, foi criada a Conferência das Mulheres Africanas- CMA, a primeira organização de mulheres africanas (representando 14 países e 8 movimentos de libertação)

Essa data se consolida em 31 de Julho de 1974, quando a CMA, reunida em Congresso em Dakar/ Senegal, funda nova e mais forte organização: a Organização Pan-Africana de Mulheres tendo como prioridades a luta pela promoção de todas as mulheres africanas (seu papel na reconstrução de África, no combate à AIDS, na educação, na garantia da paz e da democracia), a libertação total do continente africano e a eliminação do apartheid. 

Meio século depois, as mulheres africanas demonstram serem as maiores ativistas do continente, ao resistirem ao regime escravocrata, tráfico de mulheres, mutilação genital, violência familiar, escassez de instrução. E continuam em marcha por garantia de direitos, conservação ambiental, paz duradoura e vida digna.

Saiba mais:

>> Hoje na História, 1962, foi instituido como o Dia da Mulher Africana

Documentário traz depoimentos sobre mulheres negras na história


 

Fonte: Condsef/Fenadsef, Com Sintsef-BA

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